Descrição de chapéu Obituário Hermes Pardini (1934 - 2019)

Mortes: Usou a medicina para praticar o amor ao próximo

Endocrinologista foi pioneiro em sua área e deixava a porta da sala aberta para uma boa conversa

Patrícia Pasquini
São Paulo

Em Belo Horizonte (MG), a plateia para assistir aos jogos da seleção Copa do Mundo de 1970 era acomodada na casa do endocrinologista Hermes Pardini. O relato é do seu filho, médico da mesma especialidade, Victor Pardini, 54. 

Hermes Pardini, endocrinologista e um dos pioneiros no desenvolvimento dos exames de laboratório para dosagens hormonais
Hermes Pardini, endocrinologista e um dos pioneiros no desenvolvimento dos exames de laboratório para dosagens hormonais - Arquivo pessoal

"Ele foi o primeiro a ter TV a cores em BH e convidava a vizinhança para ver o jogo. Eu era pequeno e lembro que disputava os cantinhos da sala, de tanta gente", conta. 

Hermes comandava um grupo de medicina diagnóstica que leva seu nome. Segundo Victor, ele foi um dos pioneiros no desenvolvimento de exames laboratoriais para dosagens hormonais, principalmente tiroidiana. 

Alegre, brincalhão, gentil e receptivo, o doutor Hermes --como era chamado-- sempre deixava a porta da sua sala aberta, seja em casa ou no laboratório. Simples, permitia que qualquer pessoa, independentemente do cargo exercido na empresa, entrasse no consultório para uma boa conversa.

A medicina ocupou boa parte dos seus dias. Victor relata que o pai acordava às 4h da manhã para discutir com os outros médicos os casos mais importantes. 

Nos poucos momentos de descanso com a família, trocava a medicina pela MPB, música clássica e uma gaita. Com ouvido apurado, era capaz de tocar qualquer música sem apoio de partituras. Na época da faculdade e sem o consentimento da mãe, se inscreveu em um concurso de gaita e venceu com a apresentação da música "Brasileirinho". 

Em seu repertório não poderiam faltar Toquinho e Vinícius, e compositores como Vivaldi e Bach.

Hermes morreu no dia 13 de agosto, aos 85 anos, devido a uma pneumonia. Deixa a esposa, três filhos e seis netos.


coluna.obituario@grupofolha.com.br

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