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Mulheres têm aulas gratuitas de defesa pessoal em Florianópolis

Curso gratuito ensina técnicas para imobilizar ou distrair agressores

Vanessa da Rocha
Florianópolis

Um treinamento de proteção contra agressões, assaltos e estupros está atraindo centenas de mulheres para o tatame em Florianópolis. O curso gratuito ensina técnicas para imobilizar ou distrair agressores, fugir de ataques e buscar ajuda.

Segundo a prefeitura, que oferece o curso, 4.633 mulheres se inscreveram e, em três meses, cerca de 400 receberam o treinamento, que tem duração de duas horas e meia. “Não é para sair por aí e brigar. São formas de se desvencilhar [do agressor]”, diz a educadora social Scheila Thomé, 56, que tem levado para o curso mulheres vítimas de violência de uma casa de acolhimento onde ela trabalha.

Curso de defesa pessoal para mulheres em Florianópolis
Curso de defesa pessoal para mulheres em Florianópolis - Leonardo Sousa/ Prefeitura de Florianópolis

“Há dez anos sofri violência psicológica e física do meu ex-marido. Se eu tivesse tido aulas como essa, certamente poderia ter evitado algumas situações bem dolorosas pelas quais passei”, diz a psicoterapeuta Fernanda Fontoura, 38, que acompanhou uma das aulas.

Estratégias para escapar em casos de puxão de cabelo, assédio em festas e estrangulamento também são abordadas nas aulas, além de dicas de acessórios. “O spray de gengibre [produto com venda liberada que causa ardência nos olhos] eu não conhecia. Achei uma boa”, diz a aposentada Rosa Maria Borges, 70. 

Em assaltos, a orientação é não reagir. “O correto é ter uma carteira falsa com cartões velhos e um celular que não funciona mais, e entregar ao assaltante”, diz o professor Sérgio Astolf, 33, profissional de artes marciais que é voluntário no projeto. 

Cursos semelhantes existem em estados como São Paulo, Paraná, Bahia e Rio de Janeiro. Em Florianópolis, a previsão é realizar mais de 40 encontros até o final do projeto, que termina em abril de 2020. “Estamos atendendo todas as mulheres interessadas, mesmo que não inscritas. Assim, o número de participantes pode superar 5.000”, diz Yan Oliveira dos Santos, coordenador do projeto.

Sem altos índices de criminalidade, a capital de Santa Catarina não foge à regra do restante do país em que mulheres relatam uma rotina de insegurança. Fundadora do Pedal Rosa, grupo feminino de ciclismo, Silvana Ramos, 33, diz que as ciclistas precisam sair com presenças masculinas para inibir ataques. 

“Tudo que eu mais queria era poder pedalar algumas vezes sozinha. Temos que sair com alguns homens, pois corremos riscos de furto, assédio.”

Para a psicóloga e porta-voz da Associação Fala Mulher Vanessa Molina, 38, o treinamento de defesa pessoal coloca a mulher no protagonismo da própria segurança, mas é preciso avançar na conscientização dos homens. “Ainda há muito a se conquistar. O poder público precisa ser mais ativo, ampliar os serviços que já existem e criar novas frentes de atuação para o público masculino, atuando na desconstrução da cultura machista.”

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