Descrição de chapéu Rio de Janeiro

Polícia prende suspeito de vender ternos falsificados a políticos no Rio

Entre os clientes estavam deputados, que disseram que devolverão as peças

Júlia Barbon
Rio de Janeiro

Na semana passada, João de Sá Marques entrou no Palácio Guanabara, sede do governo do Rio de Janeiro, dizendo que era um comerciante português que oferecia a comodidade de entregar ternos de grife, vindos diretamente do exterior, na mão dos clientes.

Deu certo. O discurso conquistou assessores do próprio vice-governador fluminense, Cláudio Castro (PSC), que acabaram comprando algumas peças, de marcas caras como Hugo Boss e Giorgio Armani, pela bagatela de R$ 1.500 a R$ 2.000.

Marques estava habituado a circular entre políticos cariocas. Afinal quem o indicou aos colegas do Executivo foi o líder do governo na Assembleia Legislativa do Rio, o deputado estadual Márcio Pacheco (PSC), dizendo a eles que o vendedor costumava zanzar pela casa e fornecer as roupas a vários parlamentares.

Acontece que Marques foi preso nesta quinta-feira (1º), acompanhado da mulher, com 40 ternos falsificados no centro do Rio. Segundo a investigação, ele comprava as peças num lugar bem longe de Portugal: a rua 25 de Março, referência do comércio popular em São Paulo.

O preço que ele pagava pelos ternos também estava distante do que cobrava dos clientes —a polícia fala em menos de R$ 200. Depois, Marques realizava a delicada operação de trocar as etiquetas pelas das grifes internacionais e multiplicava os lucros revendendo as roupas por até R$ 3.000 —um lucro de 1.400% .

​Os valores ainda giravam muito abaixo dos cobrados pelos modelos originais das marcas, em torno de R$ 15 mil a R$ 20 mil, de acordo com o delegado Maurício Demétrio, titular da unidade especializada em crimes contra a propriedade imaterial.

Após a prisão ser divulgada pela TV Globo, nesta quinta, a reação dos políticos foi de surpresa. O vice-governador, que fez questão de frisar que não comprou nada, divulgou logo uma nota dizendo que "se comprovada a origem hostil dos produtos, cada um de seus assessores devolverá imediatamente as peças adquiridas".

Sublinhou que todos os assessores compraram com cartão de crédito, "reforçando assim a conduta ilibada dos mesmos que não sabiam a possibilidade de origem espúria dos produtos".

Já o deputado Márcio Pacheco se disse vítima da situação assim como outros políticos. Também ressaltou que não sabia da origem falsa dos produtos e que vai devolver os ternos e auxiliar nas investigações.
 

Tópicos relacionados

Comentários

Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.