Com cachoeira e mar juntos, Guarujá tem praias em 'minicidades'

Loteamento com cenário paradisíaco atrai cada vez mais turistas no litoral sul

Klaus Richmond
Guarujá (SP)

Pode até soar estranho a um desavisado passar e avistar em plena quinta-feira (12) uma fila considerável de carros ocupando parte de uma das pistas do km 17,5 da rodovia Ariovaldo de Almeida Viana (SP-61), em Guarujá, no litoral sul de São Paulo.

A espera de turistas é pelo acesso às praias de Iporanga, São Pedro, Conchas, Itaguaíba, Tijucopava e outras que fazem parte da serra do Guararu, um paraíso a 125 km de São Paulo.

Cercado por mata atlântica, com mais de 150 espécies de pássaros, o local é conhecido por sua segurança e, principalmente, por praias paradisíacas –uma delas com cachoeira e mar juntos.

Desde 2013, a frequência só tem aumentado. No último ano, 485 mil pessoas, entre proprietários e visitantes, passaram pelas praias da região, número superior a 2017, com 448 mil. Há seis anos, o levantamento indicava 292 mil.

“Não queremos ser uma ilha, mas tudo aqui é diferente mesmo. As pessoas dizem que preferem esperar horas na fila do que se aborrecerem em outras praias”, disse à Folha Roberto Nagy, responsável pela administração do loteamento da praia de Iporanga.

O destino no litoral é considerado área de proteção ambiental. O acesso do público é permitido, controlado por quatro sociedades privadas que possuem concessões para administrar o uso das praias do rabo do dragão, como popularmente é conhecido pelo fato do formato da ilha lembrar a figura mitológica.

Praias do condomínio Iporanga, no Guarujá, litoral sul de São Paulo; na foto a Praia das Conchas.
Praias do condomínio Iporanga, no Guarujá, litoral sul de São Paulo; na foto a Praia das Conchas. - Bruno Santos/ Folhapress

São lotes de alto padrão recheados de casarões luxuosos. Em Iporanga, praia mais procurada, são quase 400 casas. O valor médio das mansões é de R$ 10 milhões, enquanto os aluguéis chegam a R$ 10 mil a diária. O condomínio custa cerca de R$ 4.000 mensais.

“Oferecemos o que deveria ser algo simples: segurança, limpeza e qualidade. Quem vem, sabe que terá água potável e banheiros extremamente limpos, por exemplo. Não jogar lixo, preservar, tudo fica internalizado nas pessoas que entram aqui”, disse Ronaldo Justo, 45, gerente do departamento de meio ambiente de Iporanga.

Os turistas não precisam pagar taxa alguma para entrar. Há, porém, uma limitação de vagas para estacionar o carro. São somente 38 em Iporanga e 70 em São Pedro.

“Não fazemos nenhuma proibição de acesso. Estamos no limite do número de veículos para cumprimento de sustentabilidade, para que não haja desmatamento. Se estiver a pé, é totalmente livre”, afirmou Justo.

Dentro do local, há seguranças por toda a parte, inclusive na orla das praias, além de câmeras de monitoramento. Não há a presença de ambulantes e é cena rara avistar sujeira no chão. O cumprimento das regras também é rígida. A prática de esportes, por exemplo, só ocorre após as 17h.

O acesso às praias é feito por pequenas trilhas totalmente urbanizadas. Há algumas, porém, que só podem acessadas pelo mar ou trilhas consideradas difíceis.

“Conhecemos aqui em março do ano passado. Viemos com a família e adotamos como nosso destino de praia. Aqui há uma segurança diferente. Podemos sair e deixar as coisas na areia”, disse a professora Priscila Valeretto, 41, que mora em São Bernardo do Campo.

“É recluso, sem sujeira. Você não é abordado por ninguém. Minha irmã vem dos EUA e sempre pede para vir”, disse o paulista Ericson Strauss, 37, analista de governança, acompanhado da irmã Stefane Strauss, 30.

A praia mais conhecida é a de Iporanga, com aproximadamente 800m de extensão de areia. Logo na entrada, impressiona a visão de uma cachoeira, livremente utilizada pelos presentes. O mar e a água que cai da cachoeira ainda formam uma piscina natural de águas cristalinas.

 

A maior das praias é a de São Pedro, procurada por surfistas por suas ondas, cercada por vegetação de restinga. Ao lado dela, a pequena praia das Conchas, de 150m de extensão, com águas claras e próprias para mergulhos.

Todo o local é autosustentável e funciona como uma minicidade, quase que independente do município de Guarujá. O lixo produzido é recolhido por uma coleta própria. Há, também, uma estação de tratamento de esgoto e de água potável que abastece as casas dos condomínios.

Em Iporanga, o condomínio possui técnicos em química e um laboratório é contratado para atestar a qualidade da água consumida de acordo com as leis. Eles também fazem plantios, podas e recuperação de plantas.

A prefeitura recorre ao local, por exemplo, quando precisa de mudas para plantio. Eles ainda cedem sardinhas para o Instituto Gremar e todo o lixo reciclável é repassado a uma cooperativa local. Ao todo, são quase 180 funcionários somente de Iporanga.

"Tive casa aqui há alguns anos. Tudo funciona. Tem limpeza, segurança e é perto de São Paulo. Quem não quer um lugar onde seus filhos possam aproveitar livremente?", questionou Maysa Mundim, 40, atriz que mora em São Paulo, presente com a família na praia de Iporanga.

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