Para Major Olímpio, polícia deve ser dura, mas agir dentro da lei para não virar barbárie

Senador da bancada da bala diz que não vê relação entre queda de homicídios e aumento da letalidade policial

Thiago Amâncio
São Paulo

Conhecido pelo discurso linha-dura na área da segurança pública, o senador Major Olímpio (PSL-SP) diz que o aumento da letalidade policial no país se deve à “falta de limite de criminosos”, mas que isso não está relacionado à queda do número de assassinatos no país, que baixou 10% no ano passado.

“Está morrendo mais bandido porque a ousadia dos criminosos não tem limite. Eles estão atirando mais nos policiais, e, por consequência, os policiais estão revidando e atirando mais também”, diz o senador, líder do partido do presidente Jair Bolsonaro (PSL) no Senado.

“Os caras vão explodir caixa eletrônico, vão explodir carro de transporte de valor, bases de empresa de valores, e suportam o tiroteio contra a força policial o tempo que for necessário. Logicamente nesse enfrentamento de guerra, você tem mais marginais mortos”

Dados divulgados na última semana pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública mostram que o número de mortes violentas no país baixou em 2018, chegando a 57.341 assassinatos, menor patamar desde 2014. Ao mesmo tempo, o número de pessoas mortas pela polícia chegou a 6.220, 20% a mais que no ano anterior.

“Eu não vejo causa e efeito nisso”, diz Major Olímpio. “Eu vejo mais marginais sendo mortos em função de estarem fazendo um enfrentamento maior com a força policial.”

O senador credita a redução no número de mortes a um trabalho feito para desarticular facções criminosas, transferindo seus líderes a presídios federais.

Conhecido por declarações polêmicas (já fez piada, por exemplo, com os massacres em presídios), Major Olímpio diz que a polícia deve ser dura, porque “nós estamos num estado de guerra, e muitas vezes querendo usar instrumentos de paz”, mas deve também agir dentro da lei.

“Contra criminosos violentos, homicidas, latrocidas, você tem que ter o rigor da lei. Mas não sair da lei. Se a lei tá frágil, você amplia o potencial punitivo da lei, você estrutura os órgãos da segurança pública. Mas temos sempre que agir baseado na lei. Não dá para você imaginar um sistema de segurança que não esteja amparado pela lei. Aí você volta aos princípios da humanidade, à barbárie, ao olho por olho, lei de talião. E essas coisas aí não são concebíveis numa sociedade organizada.”

O senador comemora o dado positivo de queda de mortes, mas diz que ainda estamos “muito longe de um plano mínimo ideal”, diz. “Ainda temos uma calamidade sem tamanho. O Brasil responde por 13% dos homicídios no mundo.” 

O senador ressalta ainda que o número de mortes pode ser maior. O Fórum Brasileiro de Segurança Pública diz que, em 2018, o país registrava 82.094 pessoas desaparecidas. “Pessoas que possivelmente foram executadas, enterradas clandestinamente, que nós contamos como desaparecido e não como homicídio ou latrocínio”, diz 

Também há um problema na padronização de dados, diz ele. “Se você está na rua agora, é baleado num farol, vai para o pronto-socorro e morre daqui a 15 dias no hospital, isso é contabilizado como lesão corporal.”

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