Patinetes já circulam 11 mil km por dia em São Paulo

Meio de transporte acendeu discussão sobre utilização do espaço viário na cidade

São Paulo

Há cerca de um ano, elas eram raridade em São Paulo. Hoje, após um crescimento médio de 24% ao mês, as viagens de patinetes em São Paulo já somam cerca 11 mil km em deslocamentos diários. O dado é da Grow, dona das marcas Yellow e Grin.

Em toda São Paulo, as corridas de patinetes já são comparáveis às de bicicleta da marca, que somam 12 mil km. Em algumas áreas, as patinetes já superam as bicicletas.

Os dados foram encaminhados à Prefeitura de São Paulo para pressionar a adoção de políticas públicas que concedam espaço ao chamado de micromobilidade, ou seja, a grande massa de deslocamentos feitos na cidade, mas que abrangem trechos menores e que dificilmente são cobertos pelo transporte público. 

Para efeito de comparação, o sistema de ônibus da cidade roda por dia 3 milhões de km. ​

Com relação às patinetes, o dia de maior circulação é a sexta-feira, seguido pela quinta e quarta-feira (empatadas). Depois vem a terça, segunda, domingo e por último o sábado, quando o número de viagens é 44% menor do que na sexta. Para a empresa, o dado mostra como patinetes e bicicletas são usados para atividades fundamentais da cidade, como trabalho e educação, e não apenas para o lazer. 

Durante os dias úteis, o uso das patinetes ao longo do dia obedece o padrão de deslocamento de outros meios de transporte: um pico pela manhã, outro ao meio-dia e o terceiro no fim do dia. Isoladamente, o fim da tarde de quarta e o meio-dia de sexta-feira estão entre os horários de maior número de viagens. 

Durante os dias da semana, o deslocamento médio das patinetes é de 1,5 km. Nos finais de semana, quando os usuários passam mais tempo com o dispositivo, o deslocamento chega a 1,8 km. 

Os números não são muito distantes do observado em outras cidades latino-americanas, onde a empresa também atua. Os trajetos variam de 1 km no Peru a 1,8 km na Argentina.

Segundo análises da Grow, o custo do aluguel das patinetes, assim como das bicicletas, faz com que esse meio não entre em competição com o transporte público, atuando de forma complementar. Em países desenvolvidos, existe a preocupação da migração de passageiros dos transporte público para esses modos de locomoção.

As patinetes em São Paulo, assim como em outras cidades em que chegou, logo acendeu um debate sobre o uso do espaço público, das praças, canteiros centrais, ciclovias, ruas, avenidas e calçadas. O primeiro impasse foi para o uso das calçadas, já que muitos dos equipamentos ficam estacionados ou trafegam sobre elas, tirando o espaço já tão raro dos pedestres. 

Inicialmente, a Grow disse que estava presa a uma legislação que não a autorizava criar áreas de estacionamento das patinetes. Especialistas também dizem que a legislação nacional sobre esse tipo de veículo não está atualizada. 

O decreto mais recente da gestão Bruno Covas (PSDB) prevê a criação de bolsões para estacionamento das patinetes e a proibição de estacioná-las na calçada

Para especialistas em mobilidade, a polêmica sobre as patinetes pode ser uma brecha para rediscutir o espaço dedicado a cada um dos meios de locomoção. Nessa esteira, aparecem pleitos por calçadas maiores, além de áreas de estacionamento de bicicletas e patinetes. 

Erramos: o texto foi alterado

Diferentemente do que foi publicado, o crescimento médio mensal do uso de patinetes em São Paulo é de 24% e não de 13%. O texto foi corrigido.

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