SP terá museu da água montado por engenheiros da Sabesp

Companhia paulista deve ceder terreno ao lado do MAC-USP e Ibirapuera

Fabrício Lobel
São Paulo

Um conjunto de prédios baixos, de tijolos aparentes e ao lado do Ibirapuera deve ser a sede do Museu da Água, em São Paulo. A iniciativa é da AESabesp, uma associação de engenheiros da Sabesp, companhia paulista de saneamento

A Sabesp, que apoia o projeto, deverá ceder para o museu a área de suas instalações, onde hoje funciona um conjunto de bombas que leva água da represa Guarapiranga até regiões mais altas como a da avenida Paulista. O prédio, de 1929, era da antiga Repartição de Água e Esgotos, que antecedeu a Sabesp em São Paulo.

O terreno faz divisa com o Museu de Arte Contemporânea (MAC-USP) e o Instituto Biológico, ambos também vinculados ao governo do estado. 

Viviana Borges, presidente da AESabesp, diz que o novo museu deverá ser um espaço para aproximar da população a discussão sobre a importância da água e do saneamento. "Estamos muito distantes do momento em que o saneamento faça parte do debate público. A sociedade ainda não entende a importância e fala muito pouco a respeito sobre o tema", defende. 

A proposta é que o museu tenha exposições interativas, voltadas aos temas de preservação, ciclo da chuva, reaproveitamento da água e saneamento. A estimativa de investimentos é de R$ 17 milhões. 

Deverão servir como referência do projeto diversos museus pelo mundo com a mesma temática. Museus na China, Índia, Espanha Croácia, Itália, Áustria, Estados Unidos, Portugal, México e Equador, por exemplo, fazem parte de uma rede mundial de museus de água da Unesco.

No estado de São Paulo também há uma referência, o museu Água, de Indaiatuba (SP). 

Viviana diz querer explorar a proximidade com o MAC-USP e o Instituto Biológico, firmando convênios para que visitas escolares possam ser feitas em conjunto nos três locais. Uma praça arborizada seria a ligação dos prédios. Segundo ela, o MAC-USP já se mostrou aberto à ideia. 

Está em fase final de elaboração o edital para um concurso que deverá escolher o projeto do museu. O cronograma prevê que as obras comecem no segundo semestre de 2020. 

Até lá, qualquer intervenção deverá ser ainda negociada com órgãos de preservação do patrimônio histórico, já que o entorno do Parque Ibirapuera é tombado. Além disso, a prefeitura de São Paulo também tombou o prédio no mesmo processo que conferiu ao Instituto Biológico status de patrimônio cultural da cidade. 

Esse não é o primeiro projeto de se criar um museu sobre o saneamento em São Paulo. A Sabesp e a Fundação Energia e Saneamento tinham o projeto Espaço das Águas. A ideia era criar um espaço cultural em outra unidade da Sabesp, na avenida do Estado, no encontro dos fétidos rios Tamanduateí e Tietê. O projeto não avançou. 

São Paulo hoje ainda deixa de tratar 30% de seu esgoto gerado e deixa de coletar 13%, comprometendo a saúde de parte da população e a qualidade dos rios da metrópole.

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