Descrição de chapéu Dias Melhores

Com próteses e tênis que brilha, garoto deixa de andar de joelhos em plena semana da criança

Enzo, 8, teve desempenho exemplar logo no primeiro teste do equipamento; ele nasceu com uma má-formação nos membros inferiores

Enzo Zocatele Divino, 8, recebe prótese com o tênis luminoso de surpresa Zanone Fraissat/Folhapress

Jairo Marques
São Paulo

Quando Enzo Zocatele Divino, 8, ficou em pé e as mesmas cores cintilantes de seu caprichado topete surgiram em seu novo par de tênis, que emite luzes, o menino e seu pai, Leandro Divino, 35, se entreolharam como se dividissem intimamente uma alegria contida, celebrassem uma aguardada conquista.

Em plena semana da criança, depois de ter enfrentado anos de muitas dores físicas em tentativas médicas de “corrigir seus defeitos de nascimento”, Enzo recebeu próteses feitas sob medida, que poderão ser divisor de águas em sua qualidade de vida.

Produzidos em fibra de carbono e resina plástica, os acessórios são leves —pesam 1,2 kg cada— e se ajustam à anatomia atípica do corpo do garoto, que deixará de se arrastar apoiado nos joelhos para se locomover em pé.

A partir de agora, o pequeno deve ganhar maior capacidade para correr, pular, saltar, jogar futebol e dançar a catira, estilo sertanejo que adora e que aprendeu na escola neste ano, em Iepê, região de Presidente Prudente (SP), onde mora com o pai e com a avó, Sônia Divino, 61, que também teve má-formação congênita nos membros inferiores.

 

“Nunca desisti do meu filho, por mais difícil que parecesse o caminho. Demorei anos para entender que ele não tinha de fazer cirurgias dolorosas para ficar com os pezinhos iguais aos das outras crianças. Ele precisava era de uma adaptação que se ajustasse a seu corpo”, afirma o pai, que tem a guarda do menino há três anos, após uma separação conjugal.

O primeiro teste de Enzo com as próteses parecia a exibição de um veterano. Desfilou usando o que gosta de chamar de botas, com aparente facilidade e desempenho de profissional. 

“A capacidade de adaptação das crianças é enorme e quase instantânea. Elas não reclamam das dores do andar, não sentem tontura, não querem fazer reparos em nada. Nosso papel é dar o máximo de conforto e promover um alinhamento perfeito das próteses para ele”, diz Ronaldo Menegheti, técnico em próteses e órteses da Rede Lucy Montoro de Reabilitação.

Pela vontade de Enzo, nenhum ajuste era necessário nas botas, mas o técnico notou um pequeno desnível que foi corrigido em minutos em uma sala de produção desses equipamentos da rede Lucy, que entrega cerca de 930 órteses, próteses e meios auxiliares de locomoção —como cadeira de rodas e de banho— todos os meses na capital.

O garoto deve usar o equipamento por cerca de um ano, quando deverá ser trocado, acompanhando seu crescimento.

Com as próteses, ele passa a medir 1,35 m de altura —ganhou 40 cm— e vai calçar numeração 32. Quer ganhar uma chuteira o mais breve possível.

Em pouco tempo, segundo o médico do garoto, o fisiatra André Sugawara, também da rede Lucy, “se ele quiser”, vai poder andar sozinho com o novo equipamento, que foi totalmente pago com recursos do SUS e custou cerca de R$ 4.000.

“O mais importante é o Enzo estar se sentindo bem, como se estivesse usando um sapato confortável. Ele vai trocar o equipamento de tempos em tempos, mas sempre será ele quem deverá decidir como se sente melhor em sua mobilidade, se com as próteses ou em uma cadeira de rodas”, declara o médico.

De acordo com o médico, a má-formação do menino é relativamente frequente e altera a forma de crescimento dos membros inferiores.

A avó paterna, Sônia, lembra-se de uma cerimônia em que o neto desfilou de joelhos carregando a bandeira do estado de São Paulo, ao mesmo tempo que projeta mais facilidades futuras para o neto.

“Ele nunca reclama de nada, mas é duro ver os machucados que ficam no joelho dele. Agora vai melhorar isso, né? A gente quer logo ver ele correndo pelo pátio da escola de maneira mais confortável.”

De poucas palavras, mas muitos sorrisos, o menino, que é corintiano, mas fã da cor verde, do arquirrival Palmeiras, queria logo experimentar novas possibilidades com sua próteses.

“Acho que não vou ter dificuldade com nada usando as botas e vai dar para dançar a catira na escola em pé, mas todos os anos mudam o ritmo da apresentação que a classe faz, em junho. Estou feliz e o meu pai também”, diz Enzo.

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