De origem celta, Halloween remete a dia de ligação entre vivos e mortos

Segundo tradição do antigo povo europeu, data marca virada do ano; comércio aproveita para faturar

São Paulo

Chegou por aqui com dia das bruxas, aos poucos foi se popularizando nos cursos de inglês, nas escolas e nas festas país afora. Nesta quinta-feira (31), até nos condomínios a data vai ser comemorada.  

Mas de onde veio mesmo esse tal de Halloween tão comumente associado aos Estados Unidos? Nesse país, a data deve movimentar US$ 8,8 bilhões neste ano, de acordo com a pesquisa anual do Federação Nacional do Varejo (NRF, na sigla em inglês). 

O efeito do cinema e outros produtos culturais norte-americanos não podem ser desprezados, mas os EUA são, na verdade, apenas uma escala para essa bruxaria toda. A origem está do lado de lá do Atlântico. 

Originalmente, essa festa nasceu entre os celtas —antigo povo europeu que ocupou a parte oeste do continente, popularmente identificados com os escoceses e irlandeses,  e marca a virada de ano dos druidas, os sacerdotes celtas.

Para eles, o 1º de novembro é o primeiro dia do ano e o Dia do Deus Sol. Eles acreditavam que portas de ligação entre o reino dos mortos e o reino dos vivos eram abertas na mudança de ano.

Imigrantes escoceses e irlandeses levaram a tradição para os EUA, no século 19. E as crianças americanas passaram a sair às ruas, como bruxas e fantasmas, pedindo doces –e quem não desse seria vítima de uma travessura.

O nome Halloween tem origem católica. A palavra é uma contração da frase "All Hallows Eve", que quer dizer "véspera do dia de todos os santos".

Já a abóbora, um dos símbolos mais famosos da data, é uma tradição dos irlandeses. Diz a lenda que a alma de um homem muito mau foi proibida de entrar tanto no paraíso quanto no inferno. Depois de muito vagar na escuridão, ele encontrou um carvão em brasa e o colocou dentro de uma abóbora para proteger o fogo.

Elementos para uma boa história não faltam nessa tradição. Tanto que a data se espalhou da Europa para as Américas e para a Ásia, onde, no Japão, jovens se reúnem na rua fantasiados na noite de Halloween.

Daí para as telas, nada mais natural. Só com o serial killer Michael Meyers são 11 filmes, muito sangue, gritos e horas e mais horas de terror na franquia "Halloween".

A realidade tende a ser bem mais curiosa e divertida. Entre os jovens de 18 a 24 anos, 90% de acordo com a pesquisa NRF pretendem comemorar a data. Destes, quase 20% vão abrir suas carteiras e gastar com fantasias para seus animais de estimação, o que corresponde a uma estimativa de 29 milhões de donos de pets fantasiados.

Se entre as crianças as fantasias mais lembradas são as de princesa e de super-herói, e entre os adultos, as de bruxa e a de vampiro, a maior parte dos donos de pets pretende fantasiar seus animais de estimação de abóboras e cachorros-quentes.

A pesquisa ouviu cerca de 7.500 consumidores, que devem gastar em média US$ 86,27 com a data. 

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