Empresa de publicidade vai reformar 43 mega pontos de ônibus de SP

Criadas em 2004, estruturas ficaram sem manutenção e agora terão exploração publicitária

São Paulo

Ferrugens, calor, goteiras e piso irregular. Inaugurados em 2004, grandes pontos de ônibus de São Paulo, usados como estações de transferência de passageiros dos grandes corredores da cidade, acumulam desgaste de anos sem a devida manutenção.

Eles estão nas avenidas Rebouças, Consolação, Nove de Julho, Teotônio Vilela, Ibirapuera e Professor Francisco Morato, entre outras. Com formato único na cidade, abertura para os dois lados e pontas arredondadas, as grandes estruturas chegam a ter 38 m de comprimento e devem passar por uma reforma a partir deste mês.

A ideia é melhorar esses pontos gigantes para que eles possam receber peças publicitárias. A iniciativa é da Otima, empresa que desde 2012 tem um contrato de 25 anos com a Prefeitura de São Paulo que prevê a exploração do potencial publicitário dos pontos de ônibus da cidade.

Em contrapartida, a empresa tem que fazer a manutenção de mais de 22 mil pontos de ônibus da capital. A Otima faz parte do conglomerado de empresas da família Ruas, que detém várias empresas no ramo de transporte de São Paulo

Os grandes pontos, ou estações de transferência, não faziam parte da concessão da Otima com a Prefeitura de São Paulo. Mas foi feita uma alteração no contrato para que a empresa também pudesse explorar esses locais.

Para isso, esses pontos de ônibus terão sua estrutura praticamente toda reformada. Ganharão vidros novos, instalação elétrica, mais luzes e painéis de informações dos ônibus que estão chegando. Outro avanço deve ser a troca do material que reveste a cobertura da estrutura para que o ponto não fique tão quente em dias de sol. Os pontos, promete a Otima, ganharão também itens de acessibilidade, como piso tátil.

 

A estimativa é de que a reforma dos 43 pontos de ônibus custe R$ 12,6 milhões até março de 2021. 

Em três pontos, todos na avenida Brigadeiro Luís Antônio, a reforma deve começar ainda neste ano. Cada uma das obras deve durar um mês, período em que o ponto ficará fechado para passageiros. A SPTrans, vinculada à gestão Bruno Covas (PSDB), informa que o embarque e desembarque deverá ser transferido para o ponto mais próximo nesses casos. 

Esses pontos de transferência foram planejados para São Paulo em 2003, ano em que a gestão Marta Suplicy (PT) executou uma reestruturação do sistema de ônibus da cidade.

Uma das ideias era fazer com que alguns ônibus deixassem de cumprir percursos tão longos (medida aprofundada na última licitação de ônibus em São Paulo, fechada no mês passado). Os novos percursos forçavam que passageiros fizessem baldeações nos corredores de ônibus, por isso a necessidade de criar grandes estruturas de parada, capazes de atender a muitos passageiros e a vários ônibus de uma só vez. 

Um concurso arquitetônico foi feito pela prefeitura para escolher o desenho desses locais. Quase todas as propostas tinham aparência semelhante: uma estrutura vertical que sustentava o teto do ponto de ônibus. 

Um escritório, o Bacco Arquitetos Associados,  apresentou desenho distinto, com a possibilidade de abertura para os dois lados da via e estrutura arredondada nas pontas. A ideia venceu a competição e ganhou as ruas. "A ideia era fazer daquelas estações de transferência uma luminária para cidade, um ponto de encontro. Dessas coisas que passam na cabeça de arquiteto, sabe?", relembra um dos responsáveis pelo projeto, Marcelo Barbosa. 

Barbosa conta que os arquitetos levaram em conta que as estruturas sobrevivessem ao menos 50 anos. "Agora elas estão sujas, parece algo tosco. Mas se limpar, ela dura um tempão. A estrutura é boa, só precisa de manutenção. Já teve gente que subiu em dia da Parada Gay ou em protesto. O ponto foi feito até para aguentar o impacto da colisão de um ônibus", explica.

O croqui e uma maquete dos pontos de ônibus viraram até parte do acervo do museu Pompidou, em Paris. 

O arquiteto conta que, logo após a inauguração, os pontos já tiveram de enfrentar uma condição da rua não prevista nas pranchetas do projeto. "A gente tinha feito uma iluminação muito boa, era uma questão de segurança. Mas a prefeitura achou que do jeito que estava teria muito custo e algumas das luminárias foram retiradas", relembra. Segundo a Otima, após a reforma os pontos serão mais iluminados. O escritório Bacco foi consultado para a intervenção que deverá ser feita.

Após anos nas ruas, nem sempre com manutenção regular, os pontos foram se deteriorando. Quando Barbosa passa por um deles, fica contente ao ver que a estrutura está resistindo. "Já vi sem-teto morando sob ela, já vi ambulante vendendo doces. Ela é uma estrutura grande, cuida das pessoas. É hoje parte do cenário da cidade", comemora.

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