Presidente da Câmara de SP diz que Covas reage bem à químio e não precisará de licença

Eduardo Tuma participou de reunião no hospital onde prefeito trata de um câncer

São Paulo

O prefeito de São Paulo, Bruno Covas (PSDB), recebeu nesta quarta-feira (30) o presidente da Câmara, o também tucano Eduardo Tuma, no hospital Sírio-Libanês para tratar de projetos que serão votados pelo Legislativo municipal. Covas está passando por quimioterapia para tratar de um câncer no trato digestivo, diagnosticado na segunda-feira (28).

Segundo Tuma, Covas está disposto, reagindo bem à quimioterapia e deve voltar em breve a seu gabinete para trabalhar.

"É o mesmo Bruno de antes, nem parece que está passando por um tratamento. É visível que não há qualquer alteração", disse o presidente da Câmara após a reunião.

O vereador disse que discutiram durante o encontro as votações de projetos de lei que versam sobre concessões de equipamentos municipais, sobre parcerias público-privadas para a construção de piscinões e sobre Organizações Sociais de Cultura que poderão aproveitar credenciamento que têm na rede estadual também no município.

Sobre a possibilidade de assumir o cargo de prefeito em períodos que Covas possa ter que tirar licença, Tuma, que é o primeiro na linha sucessória (já que o prefeito ascendeu à posição depois que o tucano João Doria decidiu candidatar-se a governador), foi enfático ao dizer que, em sua visão, essa hipótese não existe.

"Não acredito nisso pela força e pela disposição do prefeito", completou.

Covas, 39, recebeu diagnóstico de câncer no trato digestivo com metástase na segunda-feira (28) e passará, inicialmente, por três sessões de quimioterapia, com duração de 30 horas cada uma.

O prefeito não deve se afastar do cargo a princípio. Aos médicos, ele disse que tem a responsabilidade de ficar no comando da prefeitura enquanto possível e que terá a responsabilidade de deixar o cargo se precisar.

O adenocarcinoma está localizado em um esfíncter na junção entre o esôfago e o estômago —chamado cárdia—, e expandiu-se para lesões no fígado e nos linfonodos. De acordo com a equipe médica, há apenas uma metástase no fígado.

O infectologista David Uip, que monitora o tratamento, definiu como um "achado de sorte" o fato de terem encontrado o câncer após exames para investigar caso de tromboembolismo nos pulmões de Covas.

Questionados sobre a agressividade do câncer, médicos afirmaram que o fato de um tumor pequeno ter comprometido outro órgão mostra que se trata de uma manifestação sorrateira da doença.

"Não existe um ranking de agressivo ou não para tumores. Podemos dizer que a doença foi algo traiçoeira. Não trouxe nenhum sintoma local. A primeira manifestação foi a trombose. Do ponto de vista sistêmico, a doença está localizada", afirmou Artur Katz, oncologista do Sírio-Libanês.

A equipe que acompanha Covas conta também com David Uip, o cardiologista Roberto Kalil Filho, os oncologistas Túlio Pfiffer e o cirurgião gástrico Raul Cutait.

QUEM É O PRESIDENTE DA CÂMARA

Tuma tem 38 anos, é advogado, doutor em Filosofia do Direito e professor universitário. É presidente da Câmara Municipal desde janeiro deste ano.

É um dos membros mais jovens de tradicional linhagem política paulista, da qual despontam o ex-senador Romeu Tuma, seu tio; o ex-secretário nacional de Justiça Romeu Tuma Júnior, seu primo; e Renato Tuma, seu pai, que foi secretário de Administração da gestão Celso Pitta.

Evangélico, é frequentador da igreja Bola de Neve. Seu site oficial o define como alguém que "na Câmara é um defensor da Igreja de Jesus Cristo". A página também diz que ele é líder da bancada evangélica e criou a Frente Parlamentar Cristã.

Na Câmara, o presidente costuma declaradamente assumir a posição de defensor das igrejas.

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