Resposta inicial à quimioterapia deve definir tratamento de Bruno Covas

Se tumor diminuir pode haver cirurgia; prefeito tem câncer de estômago

Cláudia Collucci Gabriel Alves
São Paulo

Os próximos dois meses de quimioterapia serão cruciais para o prefeito da capital paulista Bruno Covas (PSDB) e devem definir o que será feito numa etapa seguinte. 

Embora o prognóstico publicado na literatura internacional para esse tipo de tumor seja bem ruim, especialistas dizem que tudo vai depender da resposta do prefeito a essa primeira etapa do tratamento.

"O prognóstico depende muito dessa resposta inicial. Temos pacientes que respondem superbem e conseguem controlar a doença. A quimioterapia vai circular no corpo todo e atingir não só o tumor na cárdia [região do estômago afetada] mas também o fígado e o que mais eventualmente possa aparecer. O primeiro passo é controlar a doença como um todo", diz o cirurgião oncológico Felipe Coimbra, do departamento de cirurgia abdominal do A.C.Camargo Cancer Center.
   
Bruno Covas, 39, foi diagnosticado com um um câncer de estômago em estágio avançado, de acordo com as informações fornecidas pelo Hospital Sírio-Libanês, onde faz tratamento. 

O provável esquema de tratamento deve ser intenso e ter inicialmente uma combinação de drogas conhecida como FLOT (fluorouracil mais leucovorina, oxaliplatina, e docetaxel). Caso haja redução de ao menos 30% do tumor, é possível que Covas seja submetido a uma cirurgia para remover o foco da doença no estômago e uma metástase, localizada no fígado. Depois, haveria uma outra etapa, novamente com a combinação de quimioterápicos.

Esse esquema de tratamento é referência para pacientes que não apresentam metástase, mas, segundo avalia Felipe Moraes, oncologista da BP, a Beneficência Portuguesa de São Paulo, pode ser a melhor estratégia possível para o caso de um paciente jovem, como o prefeito tucano.

"Existem alguns casos de sucesso que envolvem também remoção da lesão hepática, como um relatado em 2016 no qual um paciente ficou livre da doença, mas aí é a exceção da exceção. A maioria dos pacientes com câncer gástrico metastático têm prognóstico desfavorável, de cerca de um ano", diz.

Fernando Herbella, professor afiliado da Escola Paulista de Medicina da Unifesp, conta que cânceres na região da cárdia e em posições mais próximas ao esôfago podem estar ligados à obesidade, condição que provoca ou agrava a doença conhecida como refluxo gastroesofágico, que lesa a mucosa e aumenta a chance de um tumor surgir na região.

Em 2017, Covas, então vice-prefeito, anunciou a perda de 16 kg à base de um programa com dieta e exercícios. 

Segundo Coimbra, caso não haja a resposta esperada, é possível ir trocando de esquemas quimioterápicos conforme uma maior chance ou não de resposta. "Em um segundo momento, pode se fazer um tratamento local, uma cirurgia ou ablação dos nódulos [tratamento que queima os tumores hepáticos, sem removê-los]."

Coimbra reforça que isso só será possível se a doença estiver controlada. "É preciso ter certeza de que respondeu à químio e não apareceram novos nódulos. Do contrário a cirurgia nem ajuda, pode até atrapalhar. Hoje na oncologia temos dezenas de opções de tratamento. O grande segredo é para quem, em que momento e para qual a situação." 

Nos estágios iniciais, esse tipo de tumor pode ser assintomático ou apresentar sinais corriqueiros como refluxo e gastrite. Como os gânglios estão comprometidos e há metástase no fígado, a situação sugere um estágio mais avançado da doença.

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