Salvador registra arrastões e ataques a carros da polícia em segundo dia de greve da PM

Categoria pede revisão no plano de carreira, reajuste de gratificações e melhorias no plano de saúde

Franco Adailton
Salvador

O governador Rui Costa (PT) adiou a viagem para acompanhar a cerimônia de canonização de Irmã Dulce, no Vaticano, por causa do movimento grevista de policiais militares ligados à Aspra (Associação do Policiais e Bombeiros e de seus Familiares do Estado da Bahia), liderada pelo deputado estadual Marco Prisco (PSC).

Durante a noite de quarta (9) e a madrugada desta quinta-feira (10), a segunda após a deflagração da greve encabeçada pela associação, houve carro policial fuzilado, ônibus atacados, policial militar detido e um bairro amedrontado por saques.

Na periferia de Salvador, o bairro Tancredo Neves foi o mais afetado desde o início da noite de quarta, com registros de lojas arrombadas, arrastão em um mercado, tiros direcionados a um ônibus e tiroteio durante a madrugada.

Grupo é detido enquanto arrombava estabelecimentos no bairro Cosme de Farias, em Salvador (BA), onde a PM decretou greve
Grupo é detido enquanto arrombava estabelecimentos no bairro Cosme de Farias, em Salvador (BA), onde a PM decretou greve - Divulgação SSP-BA

Em um vídeo de pouco mais de 40 segundos, um rodoviário mostra os estilhaços de vidro do ônibus, veículos parados pelo bairro, movimentação de viaturas e alerta: “Vamos procurar ter atenção, que o bicho tá pegando”.

Já na avenida Paralela, uma das principais da cidade, um ônibus foi parado por dois homens em uma moto, que tomaram a chave do condutor e atravessaram o veículo na via marginal. O ônibus não foi assaltado nem os passageiros ficaram feridos.

Instantes depois, próximo ao local, um policial militar que estava fora de serviço foi preso por membros do Bope (Batalhão de Operações Especiais) em uma motocicleta, com duas armas e um colete balístico. O militar foi conduzido à Corregedoria da PM, onde foi ouvido e liberado na manhã desta quinta.

Em outra ocorrência, um carro da PM foi cercado por um grupo de 50 homens encapuzados, com roupas camufladas. Os criminosos ordenaram que os ocupantes descessem e, em seguida, dispararam várias vezes contra o veículo e cortaram os pneus.

Segundo a assessoria de comunicação do governador, ele deveria ter embarcado para a Europa na noite desta quarta-feira (9). Passaria por Milão, para cumprir agenda administrativa, antes de chegar ao Vaticano. Existe a possibilidade de ele viajar até esta sexta-feira (11).

O governador passou a manhã desta quinta reunido com a cúpula da SSP (Secretaria da Segurança Pública), membros dos ministérios públicos Federal e da Bahia, e Procuradoria-Geral do Estado.

Em vídeo gravado para um programa, disse que adiou a viagem para programar “as ações contra bandidos e criminosos que, nos últimos dois dias, estão fazendo ações delituosas” no estado”.

De acordo com o governador, as presenças dos ministérios públicos serviram para entregar áudios, vídeos, imagens e gravações. “Para que tomem o devido processo legal. Ações cíveis e criminais contra os responsáveis por essas ações”, disse.

Por meio de nota, a SSP informou que um dos policiais que estavam na viatura atacada relacionou o ato ao grupo grevista. A Polícia Civil investiga se o chamado que gerou a saída da equipe para o local foi uma emboscada.

TERROR

A uma emissora local de TV, o titular da SSP, Maurício Barbosa, reafirmou o que havia dito nota do órgão, de que os ataques nas duas noites que sucederam a deflagração da greve estão ligados a policiais associados à Aspra.

“Temos elementos que estão sendo coletados pela imprensa. Temos acompanhado o desenrolar do dito movimento associativo levado pela Aspra e por Prisco, para que a gente adote as medidas judiciais cabíveis”, afirmou Barbosa.

O secretário disse que Prisco responde a processo contra a Lei de Segurança Nacional e a ações cíveis de bloqueio e suspensão de suas atividades. 

Por meio de nota, Prisco rebateu novamente as afirmações e pediu que fossem apresentadas as provas de ligações da Aspra com os ataques na capital baiana. “O único objetivo é colocar a população contra a categoria”, disse o parlamentar.

Prisco disse repudiar atos de vandalismo contra bens públicos ou privados, assim como crimes praticados durante o movimento reivindicatório. 

Segundo ele, a categoria pede revisão no plano de carreira, reajuste de gratificações e melhorias no Planserv, plano de saúde dos servidores do estado.

Tópicos relacionados

Comentários

Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.