Tenho fé de que estão vivos, diz parente de desaparecidos em desabamento no CE

Governo confirmou 2 mortes e 8 desaparecidos em desabamento de prédio em Fortaleza

Marcel Rizzo
Fortaleza

Durante esta quarta-feira (16), Romulo Brás aguardava informações de três parentes desaparecidos após desabamento do prédio residencial de sete andares em Fortaleza. Seus tios Vinicius e Isaura e a prima Rosana, filha do casal, moravam no quinto andar do Edifício Andrea havia dez anos.

Na manhã desta quarta-feira (16), o governo do Ceará confirmou a terceira morte na tragédia.

No começo da noite, o nome da vítima foi confirmada. Era a tia de Rômulo, Izaura Marques Menezes, de 81.

O nome de outra das vítimas já havia sido confirmado. Frederick Santana dos Santos tinha 30 anos e não resistiu aos ferimentos. Ele estava em um mercado ao lado do edifício Andrea atingido pelos escombros. 

Sete pessoas seguem desaparecidas, segundo o Corpo de Bombeiros. 

"Nunca relataram qualquer problema. Estive visitando fazia um mês e a obra que relataram nas colunas ainda não havia começado", disse Romulo, sobre relatos de que havia uma obra estrutural em pilares do prédio.

Ele e outros familiares aguardam notícias no hall de um prédio vizinho ao que desabou. A prefeitura criou o ponto de apoio e tem recebido doações de alimentos e bebidas. A cada duas horas o comando do corpo de bombeiros atualiza informações aos familiares.

"Estão chegando em um ponto que acreditam que meus familiares possam estar. Tenho fé que estão vivos", disse Brás.


Roberto dos Santos trabalha com o irmão, Elivelton dos Santos, na manutenção de aparelhos de ar condicionado. Ele estava no Edifício Andrea para ajustar equipamento de um morador e está entre os desaparecidos.

"Ele já tinha começado o serviço, falei com ele mas depois não respondeu mais. Li sobre a queda, bati o endereço e vi que era ele. Estou com esperança, está vivo", disse Roberto.

O prédio tinha dois apartamentos por andar e um na cobertura (13 no total). O edifício não tinha porteiro, apenas um zelador que poderia ser acionado em caso de problemas. 

No momento do desabamento, barulho e fumaça chamaram a atenção da vizinhança toda. 

A prefeitura de Fortaleza tem um pedido de construção do prédio de 1994. No ano seguinte, o condomínio do Edifício Andrea teve CNPJ registrado. 

A reforma nos pilares, porém, não tinha autorização do poder municipal. A anotação de responsabilidade técnica foi registrada no Crea um dia antes da tragédia. Ela foi orçada em R$ 22,2 mil. 

Em 2013, quando a prefeitura fez atualização da planta imobiliária, foi identificado que o lote onde ficava o edifício pagava apenas um IPTU para os sete pavimentos e 13 unidades habitacionais. 

Foi feito pedido de desmembramento para regularizar a situação e cada apartamento passou a fazer pagamento individual.

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