Veja o que se sabe sobre o desabamento em Fortaleza

Três mortes foram confirmadas e sete pessoas ainda estão desaparecidas, segundo o Corpo de Bombeiros

Fernanda Canofre Marcel Rizzo
Belo Horizonte e Fortaleza

​O Corpo de Bombeiros do Ceará entrou no segundo dia de buscas por sobreviventes do desabamento do edifício Andrea, em Fortaleza, nesta quarta-feira (16). Até o momento, há confirmação de três mortes e oito pessoas seguem desaparecidas. 

O prédio de sete andares, localizado a 3 km da praia de Iracema, ponto turístico da capital cearense, desabou na manhã de terça, por volta das 10h30.

Máquinas pesadas não entraram no terreno, porque o foco é a busca por outras vítimas no local. Uma escavadeira começou a atuar durante a tarde em parte da área dos escombros.

Logo após a tragédia, chegou a ser levantada a possibilidade que um vazamento de gás teria causado a queda. Agora, porém, a principal linha sendo investigada é que uma reforma em andamento teria desestabilizado as estruturas.

"O pessoal reclamava que estava tudo corroído no prédio, que poderia acontecer algo", disse Glaucio Sampaio, tio de um dos nove sobreviventes resgatado pelos bombeiros. 

Veja o que se sabe e as perguntas ainda em aberto sobre o caso: 


O QUE SE SABE ATÉ AGORA 

- Vítimas: O Corpo de Bombeiros do Ceará confirmou três mortes até o momento: Frederick Santana dos Santos, 30, e duas mulheres ainda não identificadas. Sete pessoas foram resgatados e sete continuam desaparecidas. Não há crianças entre eles.  Os bombeiros dizem que as buscas seguem até que todos sejam encontrados.  

- Situação irregular: A reforma do prédio, que estava em andamento, não tinha autorização da Prefeitura de Fortaleza. A ART (anotação de responsabilidade técnica) —documento que define os responsáveis técnicos pela execução da obra e serviços— só foi registrada no Crea (Conselho Regional de Engenharia e Agronomia) na segunda-feira (14), um dia antes do desabamento. Nela, o engenheiro civil responsável diz que as obras incluem “reparos nas construções” e “pintura”. O orçamento era de R$ 22.200.

- IPTU antigo: Até 2013, o prédio todo pagava IPTU único, possivelmente do imóvel antigo que existia no local. A Prefeitura de Fortaleza identificou a questão quando estava atualizando a planta imobiliária da cidade e regularizou a cobrança individual para cada um dos 13 apartamentos.

- Vizinhos: A Defesa Civil interditou sete imóveis próximos ao terreno onde ficava o prédio na manhã desta quarta, após identificarem rachaduras neles. Os moradores foram enviados a abrigos e receberão auxílio financeiro da prefeitura. 

- Inspeção: O desabamento desta terça foi o segundo em pouco mais de quatro meses na capital cearense. No dia 1º de junho, outro edifício teve desabamento parcial. Os responsáveis foram indiciados pela Polícia Civil do Ceará pelos crimes de desabamento e dano qualificado há semanas. A prefeitura não aplica a Lei de Inspeção Predial, porque o serviço teria ficado caro. Para o presidente do Crea-CE, o engenheiro civil Emanuel Maia Mota, a inspeção é importante. “Ela poderia não evitar isso, porque são fatalidades as quais todo mundo está sujeito. Mas poderia minimizar o impacto disso tudo”.

PERGUNTAS AINDA SEM RESPOSTA

- Causa: Logo após o desabamento, chegou a ser levantada a possibilidade de um vazamento de gás ter provocado a tragédia. A suspeita mais forte agora é que a reforma irregular tenha sido a causa, o que está sendo apurado. A ART registrada no Crea indicava que a obra começaria na segunda-feira (14), mas depoimentos e imagens indicam que já estava em andamento. Ainda não se sabe há quanto tempo.

- Responsável: O engenheiro civil que assinou a ART não havia sido localizado pelo conselho até a tarde desta quarta. Ele também não indicou o nome da empresa que faria a obra, embora a ART tenha espaço reservado para isso.

- Número de moradores: Também não se sabe ao certo quantas pessoas viviam no edifício. Os apartamentos eram grandes, com cerca de 140 metros quadrados. Um deles foi dividido pela metade pelo dono para que a outra parte fosse alugada. Vizinhos dizem que a maioria dos moradores eram idosos.

- Data de construção: O edifício Andrea teria sido construído nos anos 1990. A prefeitura diz ter um pedido registrado para autorizar a construção com data de 1994. O registro do CNPJ do condomínio foi aberto em 15 de setembro de 1995. A equipe do Crea que esteve no local, porém, ouviu de vizinhos que a construção era uma das mais antigas da região e teria cerca de 40 anos.

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