Bolsonaro critica reportagens da Folha sobre cunhado de Ana Hickmann e Bolsa Família

Em live semanal, presidente também reafirmou que cancelou assinaturas do jornal

Brasília

Em sua live semanal nas redes sociais nesta quinta-feira (21), o presidente Jair Bolsonaro criticou duas reportagens publicadas na Folha

"Isso aqui não é fazer bom jornalismo", afirmou Bolsonaro sobre a notícia "Cunhado de Ana Hickmann recebe maior honraria da Câmara por salvar família", publicada nesta quarta-feira (20). 

O texto falava sobre a concessão de uma medalha de mérito legislativo para o empresário Gustavo Corrêa, que ficou conhecido após matar a tiros um homem que realizou um atentado contra ele, sua mulher, Giovana, e a apresentadora Ana Hickmann em um quarto de hotel em Belo Horizonte. 

O empresário Gustavo Correa durante o julgamento no TJ-MG
O empresário Gustavo Correa durante o julgamento no TJ-MG - TJMG/Divulgação

O crime aconteceu em 2016 e, em setembro deste ano, o empresário foi absolvido na Justiça depois de ser denunciado por homicídio doloso pelo Ministério Público de Minas Gerais. 

O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL) foi quem indicou o nome do empresário, chamado por ele de “herói”.

O presidente criticou a chamada feita pelo jornal em uma rede social, que dizia "Indicado por Eduardo Bolsonaro, empresário Gustavo Corrêa matou fã de Hickmann em hotel de Belo Horizonte após emboscada".

"Que que dá para entender dessa matéria aqui? Que o fã da Ana Hickmann estava lá no hotel e foi emboscado pelo Gustavo, que acabou matando ele", disse o presidente. 

Ele também criticou o título original da matéria, que trazia o termo salvar entre aspas. "Primeiro lá embaixo: 'Cunhado de Ana Hickmann recebe maior honraria da Câmara por salvar, entre aspas, família", disse, ironizando o uso das aspas.

O subtítulo da reportagem havia sido alterado na manhã desta quinta-feira, e as aspas, retiradas para evitar ambiguidade

Bolsonaro reafirmou que "nenhum órgão do governo recebe mais a Folha de S.Paulo, mandei cancelar a assinatura". "Afinal para ler esse tipo de matéria aqui a gente não precisa da Folha de S.Paulo", disse. 

O presidente determinou em outubro o cancelamento das assinaturas do jornal e ameaçou anunciantes, afirmando que "devem prestar atenção". 

Bolsonaro também voltou a criticar a reportagem publicada nesta quarta-feira (20) mostrando que o orçamento do Bolsa Família para este ano é insuficiente para pagar o 13º para os beneficiários, segundo análise de técnicos do Congresso.

 "O dinheiro está garantido, não sei porque a Folha fez essa matéria, baseado no que", disse. O conteúdo do texto foi baseado em nota técnica do Legislativo. 

Segundo a nota, faltam R$ 759 milhões na reserva do programa para garantir os pagamentos neste ano e, a menos que haja suplementação de recursos, cerca de 4 milhões de pessoas poderão ficar sem receber o benefício. 

Sem apresentar dados, Bolsonaro afirmou que o dinheiro para o programa sairá do combate a fraudes do próprio Bolsa Família. "Nós estamos fazendo auditorias, fazendo pente-fino, o recurso para pagar o Bolsa Família foi do combate a fraudes, o dinheiro existe", afirmou. 

Responsável pelo gerenciamento do programa, o Ministério da Cidadania havia informado, em outubro, que o 13º seria garantido por um aumento de R$ 2,6 bilhões no orçamento do programa.

Isso foi feito, e, para este ano, ficaram previstos R$ 32 bilhões para a transferência de renda a pessoas em situação de pobreza e de extrema pobreza.

Do total, R$ 25,2 bilhões já foram usados até outubro. Por mês, os desembolsos somam, em média, R$ 2,5 bilhões. 

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