Rede de clínicas dermatológicas se especializa em gatos e cachorros

Com a longevidade dos bichos e inclusão nas famílias, veterinários ampliam oferta de cuidados

São Paulo

Por ordem de seu dermatologista, Meg, 18, usa dois tipos de xampu, um neutro e um terapêutico, além de hidratar as madeixas loiras uma vez por semana. Ivson, 9, tem pele sensível; vai uma vez ao ano ao especialista para um check-up.

Os dois são cachorrinhos, cuja pele e cujo pelo são foco de preocupação de seus tutores, que convivem de forma cada vez mais próxima com os pets. Para atender bichinhos como eles surgiram clínicas especializadas em dermatologia veterinária.

A farmacêutica Heloísa Müller Olivan, 39, trata o maltês Ivson com especialistas. O cachorro frequenta o petshop semanalmente para cuidados com a higiene e beleza. 

“Na hora do banho, o profissional observa a sua pele para verificar se há algo diferente. Pelo menos uma vez ao ano, o Ivson vai a especialistas e faz limpeza de tártaros”, diz Olivan. Outras raças como o shih tzu também demandam mais cuidados dermatológicos.

O veterinário especializado em dermatologia Douglas Bessa, 35, responsável pelo atendimento em cinco clínicas da rede PetDerma, sendo quatro em São Paulo —Morumbi, Campo Belo, Jardins (zona sul), Mooca (zona leste)— e uma em Natal (RN), diz que a demanda pela especialidade em animais de pequeno porte aumentou.

“Em média, 40% do atendimento veterinário é para dermatologia. Isso porque as raças estão mais definidas e há maior circulação de alérgenos”, afirma ele.

O veterinário especializado em dermatologia Douglas Bessa, 35, em uma das clínicas em que atende
O veterinário especializado em dermatologia Douglas Bessa, 35, em uma das clínicas em que atende - Zanone Fraissat/Folhapress

Bessa, que atende cerca de 250 pacientes, diz que as alergias são responsáveis por levar cães ao dermatologista em cerca de 30% dos casos. Em gatos, o percentual cai para 10%.

O preço cobrado por esses especialistas é salgado: uma consulta pode custar mais de R$ 500. Os testes de alergia, feitos na Califórnia (EUA), custam perto de R$ 1.000. 

A autônoma Luciana Dadário Dias, 39, é dona da Meg, uma lhasa apso de 18 anos. Os cuidados com a pele da Meg são redobrados. 

“São dois xampus para o banho semanal. Como ela tem ressecamento na pele, também usa hidratante veterinário. A hidratação semanal nos pelos é feita com uma máscara veterinária. Ela faz tosa higiênica uma vez ao mês para raspar os pelos debaixo das patinhas, do bumbum, da barriga e limpeza ao redor dos olhos e boca”, diz ela.

A lhasa apso Meg, 18 anos
A lhasa apso Meg, 18 anos - Arquivo pessoal

Carlos Eduardo Larsson, do CRMV (Conselho Regional de Medicina Veterinária) e responsável por fundar o Serviço de Dermatologia do Hospital Veterinário da USP (primeiro em escolas veterinária da América Latina), afirma que a demanda por médicos veterinários especialistas ou especializados é crescente.

Ele atribui o fato aos pets serem membros das famílias; à magnitude das populações canina e felina no Brasil (a segunda em termos mundiais); e à atual longevidade dos animais, que muitas vezes desenvolvem doenças degenerativas, tumorais ou típicas da velhice. 

A legislação brasileira para a medicina veterinária caracteriza como especialistas aqueles que possuem, no mínimo, cinco anos de graduação e que sejam filiados às associações, sociedades ou colégios habilitados a conceder e perpetuar o título. Atualmente, no Brasil, há 15 entidades habilitadas.

De acordo com o CFMV, há no Brasil dez dermatologistas veterinários com títulos conferidos pela Associação Brasileira de Dermatologia Veterinária.

Números do mercado pet no país

R$ 34,4 bilhões
foi quanto os brasileiros gastaram com pets em 2018, alta de 4,6% frente a 2017

R$ 32,9 bilhões
foi o faturamento de 2017

R$ 36,2 bilhões
é a previsão para os gastos com pets em 2019, alta de 5,4% sobre 2018

R$ 16,1 bilhões
deve ser o faturamento do segmento de Pet Food (rações), que responde por 44,6% do total

R$ 4,4 bilhões
é o faturamento previsto com vendas de animais

Em seguida vêm os gastos com:

Serviços veterinários (11,7% do total)

Serviços gerais (11,3% do total) e produtos veterinários (11,1% do total)

Pet care: higiene, beleza, equipamentos e utilidades (5,1% do total)

Comércio eletrônico (4% do total)

Fonte: Instituto Pet Brasil

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