Universitária é morta a tiros no recôncavo baiano; ex-namorado é suspeito

Elitânia da Hora, 25, se preparava para defender trabalho de conclusão de curso sobre feminicídio

Salvador

A estudante universitária e líder quilombola Elitânia de Souza da Hora, 25, foi morta nesta quarta-feira (27) em Cachoeira, cidade do recôncavo baiano a 120 km de Salvador. 

Elitânia, que era aluna da UFRB (Universidade Federal do Recôncavo Baiano), foi baleada por volta das 22h40, quando chegava em casa no bairro Currais Velhos, em Cachoeira. Ela chegou a ser levada para um hospital da cidade, mas não resistiu aos ferimentos. 

A jovem Elitânia de Souza da Hora
A jovem Elitânia de Souza da Hora - Reprodução/Facebook

De acordo com informações da Polícia Civil, o principal suspeito do crime é o ex-namorado da estudante, que não aceitava o fim da relação. A polícia não revelou o nome do suspeito, mas a Folha apurou que se trata de Alexandre Passos Silva Góes. Ele está foragido desde a morte de Elitânia. Ela tinha, inclusive, uma medida protetiva que impedia a aproximação do suspeito.

O nome dele consta no boletim de ocorrência no qual Elitânia denunciou as ameaças e no depoimento de uma colega da estudante, que testemunhou o crime. A colega foi retirada da cidade e deve entrar no programa de proteção a testemunhas do Governo da Bahia.

O caso está sendo apurado pela Delegacia de Polícia de Cachoeira, que já ouviu testemunhas e realiza diligências para localizar o suspeito. 

Aluna do 7º semestre do curso de Serviço Social da UFRB, Elitânia se preparava para defender seu trabalho de conclusão de curso. Ela iniciou a pesquisa sobre feminicídio, depois mudou o objeto de estudo para educação quilombola. 

Além de universitária, a jovem  atuava como secretária da Associação de Mulheres do Quilombo do Tabuleiro da Vitória e Adjacências, entidade que prestava apoio a oito comunidades quilombolas da zona rural de Cachoeira.

Presidente da entidade, a advogada Maria das Graças Brito, conhecida como Maria de Totó, afirmou que o crime chocou toda a comunidade. Semanas antes, ela havia acompanhado a estudante em seu depoimento à polícia, no qual denunciou agressões e ameaças do ex-namorado.

“Estivemos na delegacia há poucos dias para agilizar o processo, mas já foi tarde demais, o ódio foi mais forte”, afirmou Maria de Totó.

De acordo com a líder quilombola, Elitânia era uma jovem promissora e que atuava em defesa das comunidades da região: “Era uma menina maravilhosa, tão boa que durou pouco. Estamos todos muito tristes”, afirmou.

Elitânia também atuava em projetos para o desenvolvimento do turismo nas áreas quilombolas.
Coordenadora de Turismo Étnico da secretaria de Turismo da Bahia, Tâmara Azevedo, lembra que Elitânia foi uma das primeiras jovens da comunidade a entrar na universidade.

“Ela era um verdadeiro orgulho para todos. Queria se formar e voltar para atuar dentro da sua comunidade. Mas esse sonho acabou nesta madrugada”, afirmou.

Com a morte da aluna, o reitor em exercício da UFRB, José Pereira Mascarenhas Bisneto, declarou luto oficial de três dias e suspendeu as aulas no Centro de Artes, Humanidades e Letras da universidade nesta quinta-feira (28). 

Em nota, a reitoria da UFRB informou que “as terríveis circunstâncias do crime contra Elitânia causam tristeza e indignação de toda a comunidade acadêmica”. 

Professores, funcionários e estudantes realizaram um ato no campus no qual pediram justiça e resolução do crime.

A universidade informou que está em contato com a família para prestar assistência, manifestou apoio e solidariedade aos amigos e familiares e afirmou que “deposita sua confiança nas autoridades para que a justiça seja feita”.

Erramos: o texto foi alterado

Uma versão anterior deste texto informou incorretamente que a estudante universitária Elitânia de Souza da Hora se preparava para defender seu trabalho de conclusão de curso sobre feminicídio. Na verdade, ela iniciou a pesquisa sobre esse tema, mas depois mudou o objeto de estudo para educação quilombola. O texto já foi corrigido.

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