Vereador de SP ataca colega com insulto antissemita

Ex-secretário da gestão Bruno Covas, Daniel Annenberg diz que estuda entrar com queixa-crime

São Paulo

O vereador Adilson Amadeu (DEM) xingou seu colega na Câmara de São Paulo, Daniel Annenberg (PSDB), de judeu filho da puta após se irritar com o voto contrário do tucano a um projeto de lei de sua autoria. À Folha, Annenberg disse que estuda as medidas a serem tomadas no Legislativo e na Justiça contra Amadeu.

Na noite desta quarta-feira (11), os vereadores reuniram-se em plenário para decidir quais projetos de lei seriam colocados na pauta de votação do dia. 

Nesse momento, Annenberg e outros vereadores votaram contra a inclusão na pauta de projeto de Amadeu que propõe a imposição de um teto ao número de veículos de aplicativo na cidade. Esse limite seria igual ao número de táxis na cidade —Adilson tem nos taxistas boa parte de seu eleitorado.

O vereador Adilson Amadeu (DEM) na Câmara Municipal de SP
O vereador Adilson Amadeu (DEM) na Câmara Municipal de SP - Bruno Santos - 27.abr.2016/Folhapress

Incomodado com o insucesso, Amadeu, então, mostrou irritação e proferiu a ofensa antissemita.

"Ele disse que não gostava de mim de meu tempo à frente do Poupatempo e do Detran e tentou me agredir fisicamente. Ele, então, foi segurado por outros vereadores e então me chamou de judeu filho da puta e disse outras palavras de baixo calão", afirma Annenberg à Folha

Annenberg coordenou a implantação do Poupatempo em São Paulo e foi diretor-presidente do Detran. Ele voltou à Câmara há uma semana após três anos como secretário municipal de Inovação e Tecnologia.

"Repudio absolutamente. Não é possível que no parlamento paulistano, na maior cidade da América Latina, a gente ficar tendo esse tipo de comportamento. A gente está aqui para debater ideias e projetos e melhorar a vida das pessoas na cidade, e não para ficar digladiando verbalmente e fisicamente. Tem que haver respeito. Eu acredito no debate das ideias", completa o vereador.​

O vereador Daniel Annenberg (PSDB), ex-secretário municipal de Inovação e Tecnologia
O vereador Daniel Annenberg (PSDB), ex-secretário municipal de Inovação e Tecnologia - Jorge Araújo - 17.abr.2019/Folhapress

Annenberg disse que procurará a Corregedoria da Câmara e que estuda entrar com uma queixa-crime.

Em nota, Amadeu disse que teve "divergências com o colega parlamentar."

"No calor da discussão, algo tão comum em votações polêmicas em plenário, eu realmente me excedi e, caso alguém tenha se sentido ofendido e ainda que não tenha sido uma fala generalizada, quero pedir minhas sinceras desculpas à comunidade judaica."

Ele acrescentou que "em nenhum momento houve um ataque à cultura ou tradição judaicas, a quem sempre fiz questão de respeitar".

Em episódio anterior na Câmara, em setembro, o vereador Fernando Holiday, também do DEM, foi chamado de "macaco de auditório" pelo colega Camilo Cristófaro (PSB). Na ocasião, o pessebista disse que a ofensa não tinha referência racial.

Comunidade judaica repudia declaração de vereador

A Fisesp (Federação Israelita do Estado de São Paulo) repudiou a manifestação do vereador Adilson Amadeu (DEM), que chamou o vereador Daniel Annemberg (PSDB)  de “judeu filho da puta”. 

"Mesmo no calor das discussões parlamentares, não há espaço para o aprofundamento de preconceitos, discriminações e divisões em nossa sociedade. Todos têm o direito democrático de se expressar, mas não podemos aceitar atos de racismo, contra a comunidade judaica ou contra qualquer ser humano", diz um trecho da nota.

O órgão afirma que o vereador Adilson Amadeu deve responder criminalmente pelo ato, que está tomando as medidas legais e colocando todo o seu aporte jurídico à disposição do vereador Daniel Annemberg.
 

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