Descrição de chapéu Folha Verão

Guarujá vive alta de novos prédios e reformas

Enseada, uma das principais praias do litoral paulista, teve orla revitalizada

Guarujá (SP)

Virou cena comum no Guarujá (86 km de SP) deparar-se com reforma nas fachadas de prédios antigos e ver andaimes montados e trabalhadores pendurados por cordas.

Um dos destinos mais procurados do verão no estado —pouco mais de 2 milhões de turistas são estimados na estação—, a cidade vive um boom de reformas e construções.

No último ano, ao menos 309 reformas passaram pelo aval da prefeitura, o maior número registrado nos últimos seis anos. Foram 1.537 novas construções erguidas. Nos anos anteriores, esse número girava entre 900 e 1.000.

Apesar da alta, donos de imobiliárias reclamam de encalhe nas vendas. “Houve o término de muitas obras, mas as vendas despencaram. Registrávamos, ao menos, duas vendas por mês em 2018. O último ano foi, pelo menos, 50% pior”, disse Mário Sandes, 57, responsável por uma imobiliária na praia da Enseada.

As principais críticas de moradores recaem sobre o aumento de IPTU e de condomínios em prédios próximos à orla.

 

“Temos um dos IPTUs mais caros do Brasil, aumentado acima da inflação. Há dois anos, vi apartamentos no meu prédio serem vendidos por R$ 450 mil. Hoje, não conseguem mais de R$ 300 mil”, diz a aposentada Dulce Kato, 67, coordenadora do Movimento Vamos Cuidar da Pitangueiras.

O temor de associações de bairro é que a escalada do IPTU venha a ser ainda maior caso seja aprovada a revisão do Plano Diretor do Município, de 2013, com validade até 2023.

A prefeitura tenta aprovar na Câmara a alteração dos gabaritos de prédios da Enseada —maior praia de Guarujá, com quase 6 km. Na primeira quadra da orla, o limite dos prédios passaria de 11,5 metros de altura para 15 m.

Além do crescimento imobiliário, as orlas das principais praias receberam nova iluminação, além de reparos nas calçadas, pavimentação de ruas, academias ao ar livre e rampas de acessibilidade.

O custo foi de R$ 14,3 milhões de verba municipal na Enseada. Além dela, as praias do Tombo e Astúrias também receberam atenção.

“A iluminação da Enseada foi importante. Tivemos problemas, sim, com falta de água no último dia do ano e alguns pequenos registros, mas temos recebido menos reclamações agora”, diz Eduardo Butron, 60, presidente da Sociedade Amigos da Enseada.

Eram comuns relatos de insegurança e assaltos registrados em delegacias próximas as praias. Turistas também eram aconselhados a não sair com celulares e pertences de valor. 

“Muitas vezes apagavam tudo, não tinha nem luz à noite na praia. Nos fins de semana era arrastão certo, agora temos muito policiamento”, conta Hector Jesus Aquino, 23, morador de bairro vizinho a Enseada e gerente de um restaurante na cidade.

Moradores de outros bairros, porém, têm queixas. “A nossa impressão é de que o prefeito só fez maquiagens”, rebate Dulce Kato, de Pitangueiras. “Entregaram a iluminação, de fato, mas no dia seguinte já tinham seis deles [postes] apagados. Por duas vezes, o cabeamento foi roubado.”

Ela afirma que não há fiscalização ativa para coibir o uso de som alto e uma série de práticas proibidas na praia, além da sujeira provocada por ambulantes nas areias. 

Em busca de nova imagem, a gestão do prefeito Válter Suman (PSB), que deve tentar a reeleição neste ano, investiu no Mirante da Campina, no Morro do Maluf, entre as duas praias mais movimentadas, Enseada e Pitangueiras. 

O local tem vista panorâmica para a orla e passou por uma renovação, com instalação de iluminação, sinalização, guarda-corpo e estacionamento.

Os 54 quiosques da Enseada, demolidos da faixa de areia e reconstruídos na calçada, em 2018, ainda passam por adaptação. Eles são alvo de queixas por terem menor movimento comparado ao antigo formato, de acordo com a associação dos quiosqueiros.

O policiamento também foi reforçado. Em cada praia, há um posto policial móvel. Para a alta temporada, o município contratou 23 novos guardas-civis, aumentou o número de armamentos e reajustou o valor na gratificação paga a PMs.

Segundo dados da Secretaria de Estado da Segurança Pública, em 2018 houve queda no número de homicídios dolosos, furtos, roubos e furtos e roubos de veículos. Foram 2.428 roubos registrados em 2018, ante 3.288 em 2017.

“Ainda há a questão de furtos de turistas que usam o celular para tirar uma selfie, não dá tempo nem de gritar. Mesmo assim, nos sentimos mais seguros”, diz Vera Lúcia de Sousa, 51, presidente de associação dos quiosqueiros da cidade.

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