Manifestação contra reajuste da tarifa do transporte em SP termina em confusão

Polícia Militar fechou acesso para as estações República e Anhangabaú do metrô; ao menos dois foram detidos

São Paulo

A segunda manifestação contra o reajuste da tarifa do transporte público coletivo em São Paulo acabou em confusão, no centro da cidade, na noite desta quinta-feira (9).  

Após o final do ato, organizado pelo MPL (Movimento Passe Livre), manifestantes afirmam que a estação República, da linha 3-Vermelha do metrô, foi fechada por um cerco de policiais militares e eles foram impedidos de entrar.  

Cerca de 50 pessoas teriam forçado a entrada e a Polícia Militar usado bombas de efeito moral para evitar que isso acontecesse. Manifestantes relataram terem sido alvo das bombas. 

Manifestantes e a polícia militar entram em confronto, durante o segundo protesto do ano organizado pelo MPL (Movimento Passe Livre) contra o aumento na tarifa do transporte público em São Paulo
Manifestantes e a polícia militar entram em confronto, durante o segundo protesto do ano organizado pelo MPL (Movimento Passe Livre) contra o aumento na tarifa do transporte público em São Paulo - Fábio Vieira/FotoRua/Folhapress

Ao menos duas pessoas foram detidas. Houve corre-corre. 

Os manifestantes também estiveram nas estações Sé e Anhangabaú, na mesma linha. Na última, o acesso ao metrô pela rua Formosa foi fechado pela polícia militar e liberado ao público por volta de 21h.

O vendedor Lucas Nunes de Moura, 21, que apoia e participa das manifestações do MPL, disse à Folha que os manifestantes tentaram entrar nas estações para liberar as catracas à população, mas foram impedidos pela polícia.

"A polícia reagiu com bombas de efeito moral. Vi algumas pessoas feridas, inclusive estava perto quando um jornalista levantou a camisa e mostrou aos colegas os vergões provocados por cacetete", conta Moura.

Até às 22h30, não havia informações oficiais sobre feridos.

Segundo Moura, na estação Anhangabaú, a polícia teria tentado impedir a imprensa de filmar e fotografar o ato. "Vi um cinegrafista sendo colocado para fora da estação", relata. 

De acordo com a Secretaria de Segurança Pública, a Polícia Militar acompanhou o ato e "os policiais atuavam para permitir o acesso do público ao metrô, quando um grupo de manifestantes tentou invadir a estação para pular as catracas".

Em nota, a pasta afirma que "[os manifestantes] Impedidos, passaram a arremessar objetos contra a tropa. Neste momento, foi necessário o uso de técnicas de controle de multidões, a fim de garantir a segurança dos participantes do ato e demais cidadãos que estavam no local. Duas pessoas foram detidas e encaminhadas ao 78º DP." 

O reajuste, anunciado pela prefeitura e governo do estado é de R$ 0,10. Com isso a tarifa passou de R$ 4,30 para R$ 4,40 para trem, ônibus e metrô. 

De acordo com a prefeitura, o reajuste é de 2,33% e ficou abaixo da inflação anual prevista pelo boletim Focus, divulgado pelo Banco Central (BC), que é de 3,86%.

Em 2019, a segunda manifestação do Movimento Passe Livre (MPL) contra o aumento da tarifa do transporte público em São Paulo também teve confronto com a polícia ainda na concentração na praça do Ciclista, na avenida Paulista, no fim da tarde desta quarta-feira (15).

No total, 14 pessoas foram detidas durante e após o ato. Todas foram encaminhadas ao 2º DP, onde as ocorrências foram registradas.

O MPL programou novos movimentos para os dias 15 e 16 de janeiro, nas regiões sul e centro.

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