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Resolver acessibilidade nas praias é simples, barato e provoca enorme ganho social

Aos poucos, modelos para tornar mais plural uso dos patrimônios naturais se diversificam

São Paulo

Ver o mar apenas de forma distante, lá do calçadão ou da janela de prédios, é realidade que a maioria das pessoas com deficiência ou com mobilidade reduzida precisa encarar, mesmo morando em um país com uma das maiores áreas litorâneas e algumas das praias mais exuberantes existentes.

Isso porque adentrar pela areia fofa sobre quatro rodas ou com o passo vacilante é missão bastante complicada e desgastante que nem o apelo das ondas e do vento refrescante consegue incentivar a vencer.

Resolver a questão da acessibilidade nas praias, entretanto, hoje é simples demais —e provoca repercussões que são como divisores de qualidade de vida para milhares de pessoas.

A questão não é gostar ou não de se expor ao sol, à maresia e ao verão, mas, sim, ter a possibilidade de estar com sua família, amigos e amores onde bem entender, sem que obstáculos físicos determinem a decisão de ir ou de ficar.

Recentemente, em Santos, no litoral sul de São Paulo, uma esteira emborrachada foi instalada na praia do Gonzaga, uma das mais movimentadas da cidade. Com a instalação, é possível um cadeirante vencer a areia sem grandes esforços e chegar até bem perto do mar.

Ali também, aos finais de semana, funciona um serviço de apoio ao banho de mar, tocado por uma organização social com suporte da administração municipal. Assim, qualquer um pode curtir um “tibum”.

O resultado da iniciativa, que também está em outras partes do país —com pioneirismo de uma ação realizada no Rio desde 2007, a Adaptsurf —, é uma cena que não se vê comumente: dezenas de pessoas com deficiência se lambrecando de protetor solar, comendo milho cozido, tomando sorvete e, de quebra, desfrutando dos dias quentes na praia, como qualquer outro cidadão.

Voluntários da Adaptsurf, no Rio, que promovem inclusão em praias cariocas para pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida (11/01/2016) - Na Lata

Aos poucos, os modelos para tornar mais plural o uso dos patrimônios naturais vão se diversificando e possibilitando mais autonomia, como é o caso de Maceió (AL), que não atrela a acessibilidade ao mar a um projeto de assistência puramente.

É só o banhista/turista avisar que vai precisar de um suporte e um serviço público oferta uma cadeira anfíbia —assim chamada porque se desloca facilmente na areia na praia e flutua na água do mar— por um tempo determinado, com pouquíssima burocracia e abrindo possibilidades de exploração de muitos pontos do litoral maceioense.

Claro que é importante, para um monte de gente, receber um suporte mais específico para chegar à água com segurança, mas quanto mais se evolui no sentido de cada um poder fazer o que bem quiser, com quem quiser, melhor.

Mais do que cobrar um direito básico, tornar cada praia brasileira –ou que seja metade delas— apta para ser usufruída por qualquer pessoa é um ganho humano e de evolução coletiva que já se faz muito atrasado no Brasil. Dá para tirar o atraso rapidinho e com pouco recurso, basta um grãozinho de areia de empatia.

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