Descrição de chapéu Alalaô

Blocos para crianças ensinam a pular Carnaval e a conviver nas ruas; veja os próximos

Ocupação do espaço público, diversidade e cidadania são conceitos da festa, dizem especialistas

O mega-Carnaval de São Paulo também é para os pequenos. Dos 640 blocos que desfilarão pela cidade até 1º de março, segundo a prefeitura, 22 são infantis.

Neles, a diversão é diferente. A festa dos pequenos resgata os elementos tradicionais do Carnaval, voltada para a família, e serve como laboratório de convivência.

Para especialistas ouvidos pela Folha, além da folia, o Carnaval proporciona aos pequenos noções de cidadania.

Vinicius Ribeiro Alvarez Teixeira, doutorando em sociologia pela USP e pesquisador de Carnaval de rua, ressalta que o conceito de cidadania remete à ideia de ocupação do espaço público e descoberta da diversidade. 

“Levar as crianças aos bloquinhos faz com que elas entendam desde cedo que a cidade é nossa e as ruas não servem somente para os veículos. Podem ser espaços para brincadeiras”, afirma. 

“Também é uma forma de mostrar que as pessoas são diferentes e como se relacionam na sociedade. Essas crianças serão adultos mais respeitosos e tolerantes.”

No domingo (16), mesmo sob forte calor, Joaquim, 2, aproveitou cada minuto que permaneceu no bloco Fraldinha Molhada, na região do Jardim Anália Franco (zona leste). 

Fantasiado de pirata e animado com as marchinhas, sua diversão era arremessar confetes com as outras crianças —bagunça autorizada pela mãe, a fisioterapeuta Beatriz Bettini Torres, 29, da Mooca. Ela conta que é a primeira vez do filho nos blocos carnavalescos. 

Joaquim não se assustou com a multidão ou a música alta. “Acredito que agora ele tenha uma compreensão maior da festa. Entende, participa e quer brincar. Tudo é aprendizado para a vida. Nós gostamos do Carnaval e queremos ele também curta”, afirma.

O Fraldinha Molhada, criado pelo empreendedor Mateus Rosemberg de Souza Santos, 35, existe desde 2017 e nunca foi patrocinado. Não há desfile, a brincadeira acontece ao longo da via. A banda toca as tradicionais marchinhas, além de músicas infantis em ritmo carnavalesco. 

“Nosso objetivo é apresentar a essência do que é o Carnaval para as crianças e também divertir os pais. Por isso, a presença das marchinhas tradicionais”, explica Santos.

Na opinião de José Maurício Conrado, professor da Universidade Presbiteriana Mackenzie e especialista em linguagens, a festa cultural mais importante do país também traz um caráter pedagógico. Pais e escola devem dialogar com os pequenos sobre o Carnaval. 

“É importante para as crianças falarmos de diversidade, da importância econômica da festa e explicar o que acontece na sociedade. Esse discurso precisa ser compartilhado. O Carnaval também é uma porta de entrada rica para a discussão de temas como ocupação do espaço público pela cultura popular, por exemplo.”

A assessora de comunicação Deborah Rezende, 36, foi intimada pela filha Clara, 5, a levá-la ao Carnaval de rua. “De ver os blocos na TV e ouvir conversas ela me pediu para sair num bloco neste ano”, diz.

“É minha função como mãe estar com a minha filha numa diversão que inspira o coletivo, a cidadania e a felicidade. Quero mostrar a ela a importância de se divertir em grupo, com simplicidade, música, na rua, com pulo, brincadeira, fantasia e sem celular.”

Em meio à folia, a criança compreende o conceito de cidade e riqueza estética. 

“A presença do bloco carnavalesco transforma a rua em local de alegria e muda o sentido do espaço. Mostra que a cidade está viva. A fantasia nos permite brincar de sermos outras pessoas e pode ajudar a minimizar a ideia de que o Carnaval é uma festa erotizada e somente para solteiros. O Carnaval é para a família”, explica Conrado.

Jade, 8, gosta de reunir as amigas para curtir o Carnaval. A mãe, a designer Luciana Sugino, 45, conta que pais e filhos do prédio onde vivem, no bairro de Santa Cecília (centro) vão juntos aos blocos. 

“Elas gostam de se fantasiar, da maquiagem, dança, música e de ter a liberdade de fazer bagunça com os confetes e as espumas”, relata Sugino. Porém, ela não vê com bons olhos o crescimento do Carnaval de rua de São Paulo, porque atrai violência. 

Se por um lado há pais medrosos com os problemas da cidade grande, por outro tem os ousados, que apresentam o Carnaval cada vez mais precocemente aos filhos. 

É a proposta do bloco Berço Elétrico, criado em 2019 por Diogo Modena Rios, 36, para divertir quem tem entre 6 meses e 6 anos de vida. 

“Em 2018, fui ao Carnaval de rua com meu filho de 11 meses montado num berço ‘elétrico’ que adaptei. A brincadeira viralizou na internet e percebi que muita gente gostou da ideia”, conta Rios.

O objetivo é que a família ocupe o espaço da festa unida. O set list mistura marchinhas tradicionais, temas de desenhos animados e sucessos que tocam no Carnaval de São Paulo e Rio de Janeiro. 

A banda tem um monitor de decibéis. Os foliões ganham protetor auricular e pulseira de identificação, e há contêineres com espaço para amamentação e fraldário. 

Os pais podem alugar berços decorados a R$ 90 e adquirir abadás por R$ 45. Do total arrecadado, 30% vai para duas instituições que cuidam de crianças em situação de risco: Lar Batista e Lalec.

Foliazinha

29.fev
Charanguinha do França 
9h às 13h - Santa Cecília
ruas Major Sertório, 
Cesário Mota Junior, General Jardim, Dr. Vila Nova

Brincar Eretantã 
14h às 18h - Butantã
ruas Pereira do Lago, José Alvares Maciel, Augusto Perroni, Benjamin Mansur, Boturoca, Iquiririm, 
av. Corifeu de Azevedo. Marques e praça Elis Regina 

1º.mar
Bloco Pinguinho de Gente 
9h às 14h - Jd. Jõao 23
rua Cônego Luís Vieira da Silva

Bloco Fora da Casinha 
9h30 às 12h - Vila Buarque
rua General Jardim

Fraldinha Molhada 
10h às 15h - Vila Regente Feijó
rua José Oscar de Abreu Sampaio

Bloco do Fumaça 
13h às 18h - Vila Mazzei
av. Manoel Gaya, 806

Fonte: Prefeitura de São Paulo

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