Descrição de chapéu Folha Verão

Diversidade marca moda praia no litoral de São Paulo

Biquínis e maiôs se multiplicam em mulheres que só usam o que gostam

São Sebastião

Nos perfis de influencers digitais e celebridades, os biquínis e maiôs que são ou serão tendência pipocam durante o ano todo. Aí, quando chega o verão, a moda praia já está decretada e sacramentada nas redes sociais.

Asa delta, tai-dai, neon, hot pants, com cinto, sem cinto, metalizados, recortes nada convencionais, com mangas, com tiras, candy colors, cortininha, com bojo, sem bojo, engana mamãe... uma infinidade de possibilidades que se alternam e que só fazem os homens terem certeza de que a vida é mais fácil para a maioria deles.

Esse mar de alternativas e alternâncias, no entanto, esconde (ou revela) uma realidade. Nem tudo tem que servir para todas. E nem todas querem servir em tudo. O verão real é diverso. 

Na areia que as não celebridades dividem, a moda que se vê é, claro, uma mistura de tendências deste e de verões passados. Muitas vezes, nem isso. É só o que te cai bem mesmo, sem dramas.

A leitora mais atenta que topar com a vendedora de moda praia Larissa Cabrioti, 26, andando por Maresias, no litoral norte paulista, com um sutiã cortininha e um "levanta bumbum" pode até pensar: "ela trabalha com isso e não está usando nada de novo..." Mas ela, assim como uma infinidade de mulheres por ali, só usa o que realmente gosta.

Surfista, o que ela quer é algo que permita pegar onda sem se preocupar em não conseguir fazer as manobras que quiser por estar com um biquíni cavado demais ou confortável de menos. De quebra, quer se sentir bem e bonita. Simples assim. 

Larissa Cabrioti, 26, vendedora de biquínis em São Sebastião; o importante é o conforto, diz ela
Larissa Cabrioti, 26, vendedora de biquínis em São Sebastião; o importante é o conforto, diz ela - Adriano Vizoni/Folhapress

Se esse modelo vai ser um asa delta ou um maiô bem comportado também pode depender do dia, de seu humor, do sol, do seu horóscopo ou do que for. Só não vale seguir a tendência só porque é tendência, ela diz.

Em seu trabalho, não é raro ter que delicadamente dizer a uma cliente que o melhor é levar algo que seja confortável e deixar de lado a última novidade incômoda.

Márcia Rodrigues, 23, sua colega de loja, prefere os maiôs. Entre eles, o engana mamãe, aquele com decotes laterais, que revelam sem mostrar muito. "Não me sinto bem com modelos menores e quero ficar confortável quando venho à praia", diz. 

Segundo elas, há alguns modelos que se destacam por serem os mais procurados. Cortininha e tai dai são dois dos que mais saem na praia do litoral norte. 

Criadora da marca Maria Parafina, Fernanda Moschini, 38, vende seus biquínis em uma van. Segundo ela, o que mais sai neste verão são os modelos cortininha e o ripple, o popular levanta bumbum. 

Fernanda Mosquini, 38, é dona de uma marca de biquínis  e os vende na van
Fernanda Mosquini, 38, é dona de uma marca de biquínis e os vende na van - Adriano Vizoni/Folhapress

Larissa, Márcia e Fernanda estão em uma das pontas de uma cadeia que cria e dita tendências a cada ano. A estilista Adriana Degreas está na outra. Suas criações reconhecidas internacionalmente, indiretamente, refletem esse comportamento natural das mulheres.

"A cada coleção, a liberdade de usar o que te faz feliz e te traz autoestima está muito mais forte do que 'criar tendência'", afirma.

Seus modelos remetem ao "new vintage", e a coleção deste ano é repleta de estampas botânicas e tons amenos. Tendência ou não, para ela, o que já não cabe nesse mercado é o certo ou errado. 

"Não existe mais esse conceito, existe a vontade de se expor, como você próprio se aceita. Cada um dita sua própria tendência", diz. 

Sobre as peças que prometem valorizar determinadas partes do corpo, Degreas vai na contramão.
"Não faço maiô ou biquíni ortopédico para consertar ninguém. Nunca me preocupei em levantar bumbum, dar efeito de próteses no seios, listras que emagrecem. Faço peças [para] que as pessoas se identifiquem e que respeitam seu biotipo. Isso para mim é ser elegante." Não dá para não concordar.

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