Descrição de chapéu Obituário Francisco José de Oliveira (1938 - 2020)

Mortes: Sindicalista, lutou contra a ditadura e semeou o amor

Francisco José de Oliveira criou quatro filhos e adorava ler jornais diariamente

São Paulo

A assistente social Marilda Rodrigues, 59, tinha 22 anos quando conheceu Francisco José de Oliveira, o Chiquinho, no auge do movimento sindical, na década de 1980. 

Ela era apenas uma menina e ele estava à frente da direção do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo e Mogi das Cruzes.

"Foi amor à primeira vista", diz Marilda ao lembrar do companheiro de 35 anos. 

O aposentado Francisco José de Oliveira (1938-2020), ao centro, com os filhos Debora, Andréia, Bruno e Izabela
O aposentado Francisco José de Oliveira (1938-2020), ao centro, com os filhos Debora, Andréia, Bruno e Izabela - Arquivo pessoal

Chiquinho era conhecido por sua luta contra a ditadura militar. 

Em 1961, foi preso pela primeira de muitas vezes. Em uma delas, dividiu a cela com o então também sindicalista Lula. 

"Em 1985, ele ainda apanhava dos policiais por causa das greves e me dizia para procurá-lo no Dops (Departamento de Ordem Política e Social) caso não voltasse até determinado horário", relata Marilda.

Na época, Chiquinho chegou a esconder em sua casa, no Imirim (zona norte), políticos e sindicalistas. 

Tio Chico, como eu o chamava, era leitor voraz de jornais como Agora e Folha, e dizia ser fã desta repórter. Até recortava e guardava as reportagens.

O aposentado Francisco José de Oliveira (1938-2020) com os netos, filhos e mulher
O aposentado Francisco José de Oliveira (1938-2020) com os netos, filhos e mulher - Arquivo pessoal

Para os filhos, é um herói. "Exemplo de honestidade", afirma Izabela, 28, sua caçula. "Ele nos levava ao sindicato, nunca nos deixou faltar nada", diz Debora, 50, a primogênita. "Aprendi tudo com ele, a educar, a respeitar e a amar. Esse é o seu legado, o amor", conta a filha Andreia, 48. 

Chiquinho morreu no dia 29 de janeiro, aos 81 anos, de ataque cardíaco.

Foi no dia do aniversário de sua tia Carmélia, que ajudou a criá-lo após a morte de sua mãe, dias depois de dar à luz ele, em São João do Piauí (PI). Francisco José de Oliveira deixa a mulher, quatro filhos e cinco netos.

coluna.obituario@grupofolha.com.br
 
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