Descrição de chapéu Alalaô

PM faz ação contra pré-carnaval não autorizado em SP, e pessoas confundem com arrastão

Tropa de Choque usou gás lacrimogêneo e balas de borracha para dispersar multidão no Largo da Batata

São Paulo

Um evento de pré-carnaval não autorizado pela prefeitura no Largo da Batata, na zona Oeste da cidade de São Paulo, acabou em correria e com três pessoas presas por tráfico de drogas neste sábado (8). 

Segundo relatos de pessoas no local, a Tropa de Choque da Polícia Militar usou bombas de gás lacrimogêneo e balas de borracha para dispersar a multidão. 

Guilherme Barcelos, 18, diz que assim que chegou ao local a confusão começou. Ele diz ter visto cerca de 30 pessoas fazendo arrastão. "Todo mundo começou a correr e nós nos aglomeramos dentro da estação. A Tropa de Choque chegou e nos mandou para fora da estação", diz Guilherme Barcelos. 

De acordo com a Secretaria de Segurança Pública, durante a ação os policiais foram alertados sobre furtos e optaram por "reprimir a ação criminosa, sendo necessária a utilização de munição química de baixo potencial ofensivo para dispersar uma aglomeração". 

Paulistanos relatam arrastão na região durante evento de pré-carnaval; O jornalista Kalleo Coura procurou abrigo em uma farmácia
Paulistanos relatam arrastão na região durante evento de pré-carnaval; O jornalista Kalleo Coura procurou abrigo em uma farmácia - Kalleo Coura

O jornalista Kalleo Coura, 33, estava na região quando o tumulto começou. Ele se abrigou em uma farmácia que fechou as portas para proteger o estabelecimento e os clientes. Segundo ele, havia muita correria. 

"Vi um cara dar uma voadora em um homem, outros caras chegavam logo depois e batiam nesse homem no chão para que ele entregasse o que tinha. Antes de a farmácia fechar as portas chegou uma viatura. Os policiais sacaram as armas, todo mundo correu, mas eu não vi prenderem ninguém", afirma. 

Relato similar ao de Barcelos, que diz ter visto um homem ter celular, carteira e até a camiseta roubados. "Como era pré-carvanal, achamos que ia ser menos perigoso, mas tinha um grupo muito grande de pessoas roubando. Foi uma loucura. E A tropa de choque apareceu e começou a jogar gás lacrimogêneo, bombas e a atirar balas de borracha. Todo mundo começou a correr, a dispersar. Teve gente que se machucou", afirma.

Um publicitário de 26 anos que não quis se identificar disse à Folha que havia muita gente na região e que quando o tumulto começou ele se abrigou junto em uma loja. Ele conta que havia muito policiamento no lugar e que por volta das 15h o local ficou muito movimentado devido à presença dos foliões. Ele afirma ter visto pessoas sendo revistados por policiais que estariam em busca de drogas. Já dentro da loja, o publicitário diz ter escutado ao menos seis bombas. 

O tradutor Diogo Prado, 30, tinha ido à região almoçar com a namorada. Ele também se abrigou em uma loja durante a confusão. "Depois que as portas abriram e a situação parecia mais calma, decidimos sair e atravessar a Faria Lima para pegar o ônibus e voltar para casa. Naquele momento, um jovem entrou na minha frente e agarrou os meus tornozelos. Eu o afastei, ele balbuciou alguma coisa e se mandou. Mas na confusão, senti que um outro indivíduo tinha botado a mão no meu bolso e pegou meu celular", diz.

Prado foi orientado por policiais no local a registrar um boletim de ocorrência no 14º DP de Pinheiros, local para onde, segundo a Polícia Militar, os três detidos por tráfico foram encaminhados.

Procurada pela Folha a Prefeitura de São Paulo informou que o evento não tinha autorização. Segundo comunicado, a festa havia sido organizada pela internet. A prefeitura ressalta que eventos sem autorização são passíveis de multa. 

No Facebook, o evento "Pré-Carnaval na Faria Lima (Chris Briza)" conta com mais de 3.000 pessoas confirmadas. Em publicações no evento, há relatos sobre o arrastão. 

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