Descrição de chapéu Governo Bolsonaro

Após encerramento de paralisação da PM no CE, Bolsonaro antecipa fim de militares no estado

Previsão inicial era de que o emprego dos militares se estendesse até sexta-feira (6)

Brasília

Com o encerramento da paralisação da PM do Ceará, o governo Jair Bolsonaro (sem partido) antecipou o fim da operação que permite o emprego das Forças Armadas no estado. 

Bolsonaro publicou um decreto que encerra a GLO (Garantia da Lei e da Ordem) nesta quarta-feira (4). Antes, a previsão era que o emprego dos militares na segurança pública cearense se estendesse até sexta-feira (6)

O motim dos policiais militares teve início em 18 de fevereiro e desde então o estado convive com uma alta nos índices de homicídio. De 19 a 27 de fevereiro, segundo dados da Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social, foram 241 assassinatos no estado, uma média de 26,7 por dia. De 1º a 18 de fevereiro houve 164 homicídios, média de pouco mais de 9 por dia, número semelhante ao de janeiro de 2020, que teve 261 assassinatos o mês todo.

Fevereiro acumulou 405 homicídios entre os dias 1º e 27, sendo o mês mais violento no estado desde março de 2018, quando 414 pessoas foram assassinadas.

O motim foi encerrado após negociações entre representantes dos PMs e do governo cearense. O acordo prevê que policiais terão direito a um processo legal sem perseguição e definiu a criação de uma comissão externa envolvendo OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), Defensoria Pública e Promotoria para acompanhamento.

Segundo o governo do Ceará, não há abrandamento das penas aos amotinados. Também ficou acertada a garantia de que o governo investirá R$ 495 milhões em salários de policiais até 2022.

Presidente Jair Bolsonaro em reunião com Fernando Azevedo, Ministro de Estado da Defesa
Presidente Jair Bolsonaro em reunião com Fernando Azevedo, Ministro de Estado da Defesa - Marcos Corrêa - 27.fev.2020/Presidência da República

No dia 20, os protestos tiveram repercussão nacional depois que o senador licenciado Cid Gomes (PDT-CE) levou dois tiros ao tentar invadir com uma retroescavadeira quartel tomado em Sobral (270 km de Fortaleza), sua base eleitoral. Ele passa bem.

A paralisação foi encerrada após um acordo dos amotinados com o governo estadual. 

Diante do quadro de aumento da violência, o governo federal autorizou o envio das Forças Armadas ao estado. A situação gerou atrito entre Bolsonaro e governadores, uma vez que o presidente sinalizou, um dia antes do primeiro prazo previsto para a GLO vencer, que poderia não renová-la —ele acabou prorrogando a operação até o dia 6.

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