Após fuga em massa, Mongaguá (SP) fecha escolas, mas comércio continua

A saída em massa provocou o cancelamento de aulas das creches e escolas

Mongaguá (SP) e São Paulo

A fuga de 577 detentos do CPP (Centro de Progressão Penitenciária) de Mongaguá (a 97 km de São Paulo) não mudou a rotina de comerciantes e moradores do bairro Balneário Arara Vermelha, onde fica localizado o presídio. Mesmo com recomendações de agentes penitenciários, eles continuam andando pelas ruas e com portas abertas.

“Uns cinquenta dos que escaparam entraram aqui assim que saíram, mas não pegaram nada. Nos pediram roupas, avisamos que não tínhamos. Trabalhamos há oito anos neste local em família e nunca tivemos problemas”, disse Mayra Santos Amaral, 24, proprietária de uma mercearia a cerca de 400 m da penitenciária.

“Aliás, quando tem a saidinha, os policiais sempre checam se estão por aqui bebendo. Até agora, nenhum deles veio perguntar se tivemos alguma ocorrência”, completou.

Segundo a SAP (Secretaria de Administração Prisional do Estado de São Paulo), até o início da tarde desta terça-feira (17) 184 foram recapturados.

Cerca de 400 presos do Centro de Progressão Penitenciária de Mongaguá escaparam no início da noite desta segunda-feira (16).
Cerca de 400 presos do Centro de Progressão Penitenciária de Mongaguá escaparam no início da noite desta segunda-feira (16). - Reprodução

A saída em massa provocou o cancelamento de aulas das creches e escolas da cidade. Além disso, um supermercado da rede Krill também foi fechado.

“Temos muito mais medo das pessoas que estão soltas do que desses. Eles sempre passam, dão bom dia, boa tarde e nos respeitam”, diz a comerciante Francisca dos Santos, 50.

Além da unidade de Mongaguá, os presídios de Tremembé, Mirandópolis e Porto Feliz (no interior) também registraram fugas.

A tensão nas prisões aumentou após a proibição de visitas em algumas unidades, como represália a uma greve branca, em que prisioneiros vinham se negando a participar de audiências.

Somado a isso, a situação ficou ainda mais problemática quando os presos souberam de uma decisão da Justiça de suspender as saidinhas temporárias de detentos nos próximos dias, medida ligada à prevenção do novo coronavírus.

A fuga do presídio do litoral foi filmada por um detento próximo ao portão de principal, de entrada e saída de veículos. Nas imagens, é possível ouvir uma das pessoas dizendo aos fugitivos que “precisam voltar na segunda-feira”.

O CCP de Mongaguá tem capacidade para 1.640 presos, mas também sofre com superlotação para receber 2.796 detentos. A penitenciária funciona no regime semiaberto, ou seja, presos podem trabalhar durante o dia e voltar à unidade prisional para dormir na cela a noite.

Porto Feliz

Imagens mostram destruição no CPP de Porto Feliz, no interior paulista, a 112 km da capital. Os presos atearam fogo em várias salas da unidade e quebraram cadeiras, móveis, eletrodomésticos, computadores e equipamentos da enfermaria.

Nesta segunda-feira (16), detentos se amotinaram e fugiram de ao menos três unidades prisionais do estado: Mongaguá, Tremembé e Porto Feliz. Todas são do regime semiaberto, onde eles podem trabalhar fora da prisão e retornar à noite e têm direito a cinco saídas temporárias durante o ano (entre cinco e sete dias).

Os detentos teriam se revoltado com a decisão da Justiça de adiar a saidinha de 34 mil presos, que começariam nos próximos dias. A suspensão seria necessária para conter a entrada do coronavírus nas unidades prisionais.

A SAP (Secretaria de Administração Penitenciária) calcula que tenham escapado cerca de 800 detentos.

Parte deles já foi recapturada por uma força-tarefa montada pelo governo de São Paulo. Até a manhã desta terça (17), já haviam voltado para a prisão 517 detentos, sendo 251 de Porto Feliz, 184 de Mongaguá e 82 de Tremembé.

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