Descrição de chapéu Rio de Janeiro Coronavírus

Com menos passageiros, ônibus e BRT ameaçam parar no Rio, e Crivella pede ajuda federal

Menos da metade dos ônibus está em circulação no Rio; hora do rush ainda tem aglomerações

Ana Luiza Albuquerque Tércio Teixeira
Rio de Janeiro

As medidas restritivas de isolamento impostas pelo município e pelo estado do Rio de Janeiro visando o combate à disseminação do novo coronavírus resultaram em uma queda drástica do número de passageiros nos ônibus da capital e no BRT.

Durante a semana, a Rio Ônibus, entidade que reúne as empresas que operam os ônibus do município e o BRT, chegou a ameaçar parar a circulação na última sexta-feira (27).

As empresas afirmam que houve redução de mais de 70% no número de passageiros e que, sem ajuda financeira do poder público, não podem continuar comprando combustível e pagando o salário dos funcionários.

Um ônibus de BRT chega à estação Jardim Oceânico, enquanto poucos carros passam na avenida ao lado
Estação Jardim Oceânico do BRT, na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio, na tarde de sexta feira (27) - Tércio Teixeira/Folhapress

Por enquanto, a circulação continua. O prefeito Marcelo Crivella (Republicanos) reuniu-se com o presidente da Rio Ônibus na quinta-feira (26) e disse que pediria apoio do governo federal para subsidiar os salários dos motoristas que estão sem trabalhar.

Segundo a prefeitura, apenas 2.000 dos 5.500 ônibus da cidade estão rodando, devido à queda na demanda.

Crivella enviou na sexta-feira um ofício ao ministro da Economia, Paulo Guedes, solicitando um subsídio emergencial de R$ 90 milhões. Ele afirma que o recurso permitirá a manutenção do transporte durante o isolamento e preservará 26 mil postos de trabalho.

O prefeito também pediu que a União libere o saque do FGTS de motoristas de ônibus e demais profissionais que tiveram suas atividades prejudicadas pelo coronavírus.

No BRT, segundo a assessoria de imprensa, a queda do número de passageiros foi de 77%. Se os ônibus convencionais parassem, o BRT também não poderia continuar operando, já que os veículos que atendem o sistema pertencem às mesmas empresas.

O BRT continua funcionando nos três corredores, Transoeste, Transcarioca e Transolímpica. A Folha esteve em diversas estações ao longo da última sexta e verificou forte queda no movimento de passageiros.

A exceção foi ao fim da tarde, na hora do rush, na estação Alvorada, na Barra da Tijuca (zona oeste), onde funciona também um terminal rodoviário. Ali, as pessoas se aglomeravam nas filas.

Multidão de pessoas em várias filas longas, separadas por cavaletes de metal, aguardam na estação de BRT do terminal Alvorada
Aglomeração de passageiros no terminal Alvorada, na Barra da Tijuca, no final da tarde de sexta-feira (27) - Tércio Teixeira/Folhapress

A reportagem conversou com alguns passageiros na estação Salvador Allende, no Recreio, zona oeste. Quase todos afirmaram que os ônibus estão circulando mais vazios.

A empregada doméstica Maria Aparecida, 52, utiliza o BRT três vezes por semana, para fazer o trajeto Santa Cruz - Salvador Allende. Ela saiu de casa às 7h e ficou sentada durante a viagem. "Só está podendo ir sentado. Normalmente não é assim, vem na porta, agarrada", diz.

Devido à redução na demanda, o BRT decidiu interromper o serviço em todas as linhas da meia-noite às 4h, período em que o número de passageiros já costuma ser menor.

Também foram fechadas 27 estações que têm baixa demanda, com o objetivo de otimizar a operação e as ações de fiscalização.

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