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Coronavírus reduz trânsito e turbina busca por serviços de delivery

Levantamento mostra que tráfego de veículos caiu quase à metade em 9 capitais

São Paulo

As medidas de isolamento social para prevenir a contaminação pelo coronavírus fizeram com que o trânsito em algumas das maiores cidades brasileiras caísse quase pela metade nas duas últimas semanas. Por outro lado, houve aumento na busca por serviços de entrega e por dicas de como lidar com a quarentena.

Levantamento feito pela Folha com base em dados da TomTom, empresa da área de tecnologia de localização, mostrou redução significativa do tráfego de veículos em 9 capitais. Foram analisados os números de São Paulo, Recife, Rio de Janeiro, Salvador, Fortaleza, Belo Horizonte, Porto Alegre, Curitiba e Brasília.

A diminuição média do trânsito de 17 a 30 março deste ano em relação ao mesmo período de 2019 variou de 43%, em Fortaleza, a 62%, no Rio e em São Paulo.

Levantamento feito pelo Núcleo Jornalismo com dados do Banco Interamericano de Desenvolvimento e do aplicativo Waze chegou a conclusão semelhante.

Com menos deslocamentos nas ruas, os brasileiros se voltaram à internet para solucionar questões do dia a dia. Na semana que passou, o volume de buscas no Google relacionadas a serviços de delivery (como entregas de supermercado, farmácia e restaurante) atingiu o maior ponto desde 2004, quando teve início a série histórica.

Entre os estados, o interesse foi especialmente grande no Amapá, Roraima e Acre.

Em São Paulo, supermercados estão sobrecarregados, e muitas unidades suspenderam as entregas. Nas que ainda operam, o prazo para envio pode chegar a semanas.

Procuradas, os aplicativos de delivery UberEats, Rappi e Ifood não forneceram dados sobre aumento da demanda.

Na União de Vila Nova, formada por conjuntos habitacionais no extremo leste de São Paulo, Amanda Guerra da Silva, 25, faz parte de um grupo de vizinhos que criaram uma rede de entregas dentro do próprio bairro via redes sociais.

Ela, que trabalha com eventos e está sem emprego por conta da pandemia, diz que o objetivo é evitar que moradores deixem o bairro, diminuindo a chance de transmissão do coronavírus, e ajudar os pequenos negócios locais a sobreviver durante a crise.

Para isso, planejam uma parceria com motoristas e motoboys que já atuam na região. Se a ideia der certo, diz, deve virar um aplicativo próprio.

“São milhares de moradores. Se pensar direito, dá para manter o comércio. Aqui tem açougue, mercado, loja de tecido. O espírito de comunidade é natural da gente, que sabe que vai precisar um do outro mais cedo ou mais tarde. Seria interessante é que esse espírito fosse para além das vilas e favelas”, afirma.

No Jabaquara, na zona sul da capital paulista, André Dembitzky, 45, usou a criatividade para entreter seus clientes.

Sua loja de jogos de tabuleiros mantinha um espaço em que os frequentadores podiam jogar gratuitamente e costumava receber cerca de 40 pessoas por dia. Com o surto de coronavírus, André e seus dois sócios fecharam temporariamente o estabelecimento.

Com os clientes presos em casa, boa parte deles com filhos pequenos, decidiram oferecer um novo serviço. Agora, alugam os jogos por um preço simbólico, que posteriormente será revertido em crédito na loja, e fazem eles mesmos as entregas em domicílio.

Para garantir a segurança e evitar a disseminação do vírus, os jogos passam por processo rigoroso de higienização.

Pelo WhatsApp, André manda áudios e vídeos com dicas e troca experiências com clientes. Também emprestou alguns jogos a um lar de idosos, grupo de risco para a Covid-19.

“Hoje a empresa tomou a decisão de ficar fechada e está fazendo o que pode para ajudar. Ninguém pediu para estar isolado em casa. A gente não queria cobrar o cliente por isso”, diz.

Segundo monitoramento do Google, na última semana as buscas por jogos de tabuleiro chegaram ao ponto mais alto dos últimos 12 meses e já são 43% mais intensas que o período entre o Natal e o Ano Novo, quando costumam atingir patamar recorde.

Não por acaso, outros assuntos que se tornaram populares no Google durante os últimos dias foram home office, exercícios em casa, receitas culinárias e pesquisas sobre o serviço de streaming Netflix.

O Google não divulga os números absolutos de pesquisas feitas, mas índices baseados em uma escala de 0 a 100, em que 100 representa o interesse máximo de busca ao longo de um determinado período.

No caso das receitas, a busca só foi maior na semana das festas de fim de ano, e os mais interessados são os paranaenses.

Pesquisas sobre home office foram mais intensas em São Paulo, enquanto o Maranhão dominou o interesse por exercícios físicos para fazer em casa.

Netflix, por sua vez, foi destaque no Tocantins.

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