Descrição de chapéu Folha Verão

Ilha em SC tem sítios arqueológicos e água do mar azul-turquesa

No verão, formam-se filas de visitantes para conhecer as belezas do Campeche, famosa na região por suas cores

Vanessa da Rocha
Florianópolis

No sul de Florianópolis, turistas chegam à praia, mas desviam da areia. Eles seguem para o quiosque de uma colônia de pescadores. No local, filas se formam diariamente para entrar nos barcos e partir para a ilha do Campeche, famosa na região pela água azul-turquesa.

O principal ponto de embarque é a praia da Armação. Os lugares nas embarcações se esgotam rapidamente. “Tem dias que umas duzentas pessoas têm que ir embora”, diz o pescador Aldori Aldo Souza, 53, que coordena o embarque.

Quando os barcos se aproximam da ilha, uma floresta densa com palmeiras se destaca. As embarcações contornam um costão rochoso e atracam na praia, onde o contraste do mar azul com a areia branca cria um visual paradisíaco, que costuma ser comparado com o mar caribenho.

Com o sol, o espectro de luz azul predomina, mas a cor da água pode adquirir tons verdes na presença da clorofila das algas ou marrom, quando está próxima de rios, diz o oceanólogo Diego Melo, do Instituto da Ilha do Campeche.

“É uma água oligotrófica, uma água sem tanto materiais particulados e que possibilita que a gente tenha uma maior visibilidade”, diz Melo.

Apesar da beleza, a praia não é o atrativo principal da ilha. O local é um dos mais importantes redutos arqueológicos do país. A ilha, tombada pelo Iphan desde 1998, possui a maior concentração de oficinas líticas e gravuras rupestres do litoral brasileiro.

As gravuras podem ser vistas com nitidez nos costões rochosos. São imagens abstratas e compostas por círculos, triângulos e traços. Pesquisadores acreditam que elas foram criadas pelo atrito das pedras por indígenas que habitavam o local há mais de mil anos.

A figura chamada de Máscaras Gêmeas é a mais famosa e inspirou o logotipo do Iphan. Apesar do nome, não se sabe o que representa.

As gravuras sofrem ação de fungos, líquens e desprendimento de fragmentos de rochas em função do calor e do frio, segundo a arqueóloga Luciana Ribeiro, que é especialista em arte rupestre.

Os trajetos são guiados por monitores do Iphan. No caminho, atravessam três tipos de vegetação da mata atlântica. Além da restinga, que se desenvolve na região costeira, há a floresta com espécies nativas e exóticas, como as jerivás, paineiras e figueiras. No final, chega-se na vegetação pioneira de costão rochoso, em que caraguatás e outras espécies crescem próximo às rochas.

Um termo de ajustamento de conduta impôs o limite de 800 visitantes por dia para garantir a conservação do patrimônio histórico e manter as atividades turísticas. O embarque na alta temporada custa R$ 120. O valor é dividido entre os pescadores e outra parte é destinada para conservação.

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