Descrição de chapéu Obituário Iberê Zeferino Bandeira de Mello (1939 - 2020)

Mortes: Mestre em argumentar, fez da advocacia uma arte

Iberê Zeferino Bandeira de Mello teve grande atuação ao defender presos políticos nas décadas de 1960 e 1970

São Paulo

Ser humano. Era desta forma que Iberê Zeferino Bandeira de Mello se definia. Um dos mais reconhecidos advogados brasileiros, nasceu em uma aldeia indígena em Miranda (à época em Mato Grosso, hoje em Mato Grosso do Sul) em uma família pobre.

Perdeu o pai aos oito anos, quando morava em Santos (a 72 km de SP), e presenciou a luta de sua mãe para sustentar a família.

Na década de 1950, fez colégio militar no Rio de Janeiro e, nove anos depois, entrou para a faculdade de direito na PUC de Santos, segundo conta o filho, o advogado Iberê Bandeira de Mello, 52.

Iberê Zeferino Bandeira de Mello (1939-2020) com o filho Iberê Bandeira de Mello e os netos
Iberê Zeferino Bandeira de Mello (1939-2020) com o filho Iberê Bandeira de Mello e os netos - Arquivo pessoal

Formou-se em 1964, quando começou a advogar para sindicatos e personalidades da esquerda. Depois do golpe militar, dedicou-se à defesa de presos políticos.

Em sua carteira de clientes havia nomes como Luiz Inácio Lula da Silva, Mário Covas, Jânio Quadros e Luiza Erundina, entre outros. 

Foi Secretário Municipal de Negócios Extraordinários de São Paulo na gestão Mário Covas e membro dos conselhos Federal e Estadual da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) e da OAB-SP.

Na infância e na juventude dos filhos e sobrinhos, era chamado de tio Iberê. Sempre divertido, de humor próprio e inteligente, gostava de conversar com os jovens. O olhar marcante guardava uma imensidão de questionamentos, mas também muita doçura.

Democrata, admitia discussão em qualquer campo, porque respeitava posicionamentos políticos diferentes. No espectro político, Iberê era esquerdista, mas transitava com facilidade por todas as ideologias.

Tinha prazer em argumentar. Desempenhou com maestria sua trajetória no direito e fez da advocacia uma arte. “A essência da discussão filosófica humana é o exercício da profissão da advocacia”, dizia.

“Meu pai ensinou a olhar o outro com o olhar do outro”, conta o filho.

Iberê Zeferino Bandeira de Mello morreu no dia 2 de março, aos 80 anos, de infarto. Divorciado, 
deixa dois filhos e três netos.

coluna.obituario@grupofolha.com.br
 
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