Descrição de chapéu Obituário Amadeu José Duarte Lanna (1933 - 2020)

Mortes: Preservou a doçura do mineiro e o amor pela família

O professor Amadeu José Duarte Lanna esteve no Alto Xingu nos anos 1960 e conviveu com a crise demográfica dos índios Kisêdjê

São Paulo

O professor Amadeu José Duarte Lanna nasceu em Viçosa (MG) e era o típico mineiro. Calado, de
hábitos simples, temperamento doce e delicado.

O primeiro encontro com a esposa, Helena Lanna, hoje com 81 anos, ocorreu na época da faculdade de ciências sociais da USP.

Amadeu foi convidado para uma festa que Helena ofereceu em sua casa aos estudantes. Logo começaram a namorar, casaram-se e tiveram três filhos —dois tornaram-se professores.

Amadeu José Duarte Lanna (1933-2020) com as crianças indígenas
Amadeu José Duarte Lanna (1933-2020) com as crianças indígenas - Reprodução/Facebook

Amadeu era apaixonado por animais, em especial cavalos, e tinha apreço por futebol. Foi flamenguista enquanto morou em Minas Gerais e santista quando morou em São Paulo, segundo conta o filho, o professor do curso de antropologia da Universidade Federal de São Carlos, Marcos Lanna, 59.

Sempre muito preocupado com os filhos, momentos antes de morrer, perguntou se “os meninos já estavam dormindo”. Foram suas últimas palavras.

Formado em Ciências Sociais pela Faculdade de Filosofia, Letras e ciências Humanas da USP em 1955, foi presidente do centro acadêmico e atuante na política estudantil. Ministrou aulas para o curso de especialização em antropologia, que originou o Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social da Universidade Federal do Rio de Janeiro, e na Universidade Estadual de São Paulo, em Marília (435 km de SP).

Esteve seguidamente no Alto Xingu na primeira metade dos anos 1960, tendo convivido com a crise demográfica dos índios Kisêdjê.

Entre outubro de 1964 e abril de 1965 foi bolsista do governo francês e participou da primeira fase dos seminários que Claude Lévi-Strauss conduzia com etnógrafos no Laboratoire d’Anthropologie Sociale du Collège de France.

Amadeu José Duarte Lanna morreu dia 14 de março, aos 86 anos, de parada cardíaca. Deixa esposa,
três filhos e oito netos.

coluna.obituario@grupofolha.com.br

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