Descrição de chapéu Coronavírus

Dispara número de furtos de cabos e placas de semáforo em SP durante quarentena

Casos já vinham crescendo em relação ao ano anterior, mas média duplicou em abril

São Paulo

O número de furtos de cabos e de vandalismo de semáforos disparou em São Paulo durante a quarentena provocada pelo novo coronavírus, e a média diária chegou a duplicar na primeira quinzena de abril, segundo números da CET (Companhia de Engenharia de Tráfego).

Os furtos causaram um apagão no centro de São Paulo nesta semana, com um rastro de semáforos inativos próximo a região da cracolândia.

Sistema de monitoramento da prefeitura mostra que 9 de 13 cruzamentos com semáforos na avenida Rio Branco estavam em manutenção na tarde desta terça-feira (28). A avenida Duque de Caxias, o largo do Arouche e a região da estação da Luz também concentravam pontos com muitos semáforos desligados.

São Paulo tem 6.562 cruzamentos com semáforos e, nesta terça, 68 deles estavam em manutenção.

Segundo a CET, entre janeiro e março deste ano, foram registradas 619 ocorrências de furto e vandalismo, um número já 15% maior que no ano anterior, quando houve 547 ocorrências dessas. A média, nos três primeiros meses do ano, foi de 6,8 semáforos danificados por dia. No total, 56 quilômetros de fiação elétrica precisaram ser reinstalados.

Só na primeira quinzena de abril, depois que comércios estavam impedidos de abrir, escolas foram fechadas e o número de pessoas em circulação caiu drasticamente, houve 233 casos de furto e vandalismo, elevando a média diária para 15,5 episódios por dia. Apenas nessas duas semanas, 22 quilômetros de fiação precisaram ser reinstalados, quase metade do que foi feito nos 90 dias anteriores.

"O vandalismo de um controlador [dispositivo interno que faz a sinalização mudar] pode afetar o funcionamento de até cinco semáforos sincronizados. Vê o tamanho do estrago que pode se fazer na vida do cidadão, não só em termos práticos, em relação ao trânsito, como também pode provocar um acidente fatal", afirma o secretário Municipal de Mobilidade e Transportes, Edson Caram.

A capital paulista registrou, no acumulado deste ano, 212 mortes no trânsito, a maior parte deles eram pedestres ou motociclistas. Houve, além disso, 8.127 acidentes sem mortes, segundo dados do governo.

Os semáforos são vandalizados principalmente para furtar fios de cobre e placas de metal, que são vendidas em ferro-velho.

"A CET, apesar da pandemia, não parou de trabalhar. Infelizmente, em função dos roubos de fiação, acabamos tendo que deslocar equipes para resolver esse problema, prejudicando o trabalho", afirma Caram.

Para dificultar os furtos, a prefeitura adotou novas estratégias. Uma delas foi colocar controladores a três metros de altura do solo. Outra estratégia foi concretar e soldar tampas das caixas por onde os fios passam.

Além disso, a gestão passou a concretar também as janelas de inspeção das colunas, isto é, os fossos por onde passam os cabos. Isso, porém, criou um novo problema: quem furtava antes metros de fios, agora furta centímetros. Pela pouca quantidade, acaba depredando mais equipamentos. E, cada vez que os funcionários da CET vão repor os cabos furtados, precisam quebrar todo o concreto.

Os casos de vandalismo já vinham crescendo no ano passado. Em todo o ano de 2019, a CET registrou 1.969 ocorrências do tipo, com 176 quilômetros de cabos subtraídos.

No ano anterior, foram 1.911 casos e 90 quilômetros de cabos elétricos e componentes eletrônicos de energia e controle furtados.

Agentes da Prefeitura de SP repõem fiação de semáforo vandalizado no centro da cidade - Prefeitura de SP/Divulgação
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