Descrição de chapéu Coronavírus

Menos cheias, praças paulistanas ainda reúnem gente durante a quarentena

Até espaço fechado por chapas de metal após aglomeração na semana passada recebeu visitantes

São Paulo

Apesar das recomendações do município e do estado para ficar em casa na tentativa de conter a propagação do novo coronavírus, paulistanos se reuniram em praças e espaços públicos abertos no feriado da sexta-feira da Paixão (10).

A reportagem presenciou movimento em praça e entornos de parques nas regiões central, oeste e leste da capital paulista, ainda que menor que o de costume, segundo frequentadores dos locais.

Na praça do Pôr do Sol, no Alto de Pinheiros, região oeste da cidade, mais de 20 pessoas de todas as idades se aglomeraram em uma esquina do lado de fora do local para ver o sol se pôr. Praça conhecida pela vista, a área foi fechada com chapas de metal na quinta (9) e tem seguranças de dia e de noite.

No mesmo dia, o governador João Doria afirmou que pode tomar medidas mais duras para garantir o isolamento social avaliado como ideal na contenção do coronavírus, como multa e prisão para quem insistir no descumprimento das recomendações. Doria estendeu a quarentena ao menos até o dia 22 de abril em todo o estado de São Paulo.

"Roubaram meu horizonte. É triste ver que chegamos a esse ponto, que necessitamos desse tipo de medida", disse Ricardo Paoliello, 61, que mora perto da praça da zona oeste. Ele diz passar a maior parte do tempo em casa e concorda com as medidas de isolamento social. "Só saí para ver como estava aqui, senão fico louco", comentou.

Na praça 14 Bis, na Bela Vista, região central, homens, em sua maioria idosos, jogavam dominó próximos uns aos outros. Apenas um deles usava máscara de proteção.

Para Manuel Lima, 75, o movimento nas mesas da praça não mudou nos últimos dias. "Todo dia tem gente aqui jogando. Só diminuiu um pouco a quantidade de gente que vem caminhar", disse.

Ele não usava máscaras e disse ter recusado quando a prefeitura ofereceu o equipamento e álcool em gel de graça.

Na praça Miguel Ramos de Moura, na região leste da cidade, jovens jogavam bola e se reuniam do lado de fora da quadra. O grupo afirmou que o movimento na praça continua, mas é menor que o usual.

Na capital paulista, os parques estão fechados desde o dia 21 de março, sem previsão de abertura.

No Ibirapuera, um dos maiores e mais frequentados da cidade, várias pessoas tomavam sol e tiravam fotos no gramado do lado de fora, na altura do portão 10. Em sua maioria sozinhas ou em duplas, elas estavam em grupos distantes ao menos dois metros uns dos outros.

João Oliveira, 26, reconhece que sair de casa vai de encontro às recomendações sanitárias. "Não é o ideal, mas moro sozinho e, entre o ócio de ficar em casa e o risco de sair, preferi vir até aqui", disse ele, que mora na Lapa e foi de carro, evitando transporte público.

Próximo ao parque, na praça Carlos Gardel, o movimento também estava menor que o do último fim de semana. Felippe Miller, 30, fazia exercícios nos equipamentos públicos da praça e também pondera que estar na praça não é o mais adequado.

“Sei que não é certo, mas estou tomando todos os cuidados, passando álcool em gel com frequência, saindo só para vir aqui e ao mercado”, disse. Ele acredita que as pessoas que respeitam estritamente as medidas são as que já tiveram alguém próximo afetado pelo coronavírus.

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