Descrição de chapéu Obituário Fernando Pedreira (1926 - 2020)

Mortes: Com a arte de escrever, foi referência na história da política brasileira

Fernando Pedreira atuou em vários veículos de imprensa em São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília

São Paulo

O jornalismo foi a grande paixão de Fernando Pedreira. Até para relaxar, a atividade escolhida era escrever.

Durante muitos anos de sua vida, também dividia o tempo livre entre os amigos e os jogos de tênis, segundo conta o sobrinho, o também jornalista Mauricio Pedreira, 59.

Minutos de conversa com Fernando eram mais valiosos que uma aula de história da política brasileira.

“Ele era referência para a família. Nasci e me criei lendo os artigos dele no Jornal do Brasil. Era muito inteligente e sábio e discursava sobre qualquer assunto que envolvesse política brasileira. Um entusiasta. Sabia muito sobre o Brasil, mas ultimamente evitava falar da situação do país, porque ficava irritado”, diz Mauricio.

Carinhoso e alegre, além dos sobrinhos tinha muitos afilhados, filhos de amigos.

Fernando Pedreira (1926-2020)
Fernando Pedreira (1926-2020) - Reprodução/GloboNews

Fernando Pedreira nasceu no Rio de Janeiro. Apesar de ter se formado em direito, trocou a carreira jurídica pelo jornalismo.

Os primeiros passos na imprensa foram no Diário de S. Paulo, na capital paulista. Depois, passou por Última Hora e O Estado de S. Paulo --foi o primeiro chefe da sucursal de Brasília do jornal, a partir de 1960. Trabalhava na capital federal quando ocorreu o golpe militar de 1964.

A partir do ano seguinte, passaria uma temporada nos EUA, assumindo em 1971 a direção de Redação do Estadão.

Foi na sua gestão que o jornal conquistou o Prêmio Esso de Jornalismo com a série “Assim vivem os nossos superfuncionários”, publicada em agosto de 1976. O conteúdo retratou a farra dos servidores com o dinheiro público e foi considerado marco da investigação jornalística no Brasil.

Em 1977, decidiu retornar ao Rio e pediu demissão do cargo de diretor, mas tornou-se o articulista político do jornal paulista, exercendo a mesma função no Jornal do Brasil. Teve passagens pela revista Veja e pelo jornal O Globo.

Em 1995, a convite do então presidente Fernando Henrique Cardoso, seu amigo, assumiu o cargo de embaixador do Brasil junto à Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura, em Paris, onde permaneceu até o fim da década.

Recentemente, mudou-se com a mulher, Monica Duvernoy Pedreira, para o Vale das Videiras, em Itaipava, distrito de Petrópolis (RJ), com o intuito de se proteger contra a Covid-19. Havia tempos estava afastado da escrita.

Debilitado, no dia 21 de abril, aos 94 anos, Fernando Pedreira dormiu e não acordou.

Deixa a esposa, uma irmã, Dulce Pedreira, os sobrinhos e afilhados.

coluna.obituario@grupofolha.com.br

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