Descrição de chapéu Obituário Elpídio Martins Neto (1946 - 2020)

Mortes: Empresário, abusou do otimismo e do entusiasmo

O engenheiro Elpídio Martins Neto comandava o Grupo Engefrio, atuante no comércio varejista, em revenda de carros e no mercado imobiliário

Rio de Janeiro

Morreu na madrugada de quarta-feira (15) o empresário pernambucano Elpídio Martins Neto.

Aos 74 anos, completados um mês antes de sua morte, o engenheiro comandava o Grupo Engefrio, que é atuante em diversos segmentos, como o comércio varejista, a revenda de carros e o mercado imobiliário.

De automóveis a carrinhos de pipoca, passando por utensílios de cozinha e componentes para refrigeração, o império de Elpídio começou na década de 1980, quando ele deixou o emprego em uma firma de engenharia para fundar uma empresa de condicionadores de ar.

Elpídio Martins Neto (1946-2020)
Elpídio Martins Neto (1946-2020) - Reprodução

Formado pela Universidade Federal de Pernambuco e filho da classe média, ele importava componentes da japonesa Hitachi para instalação de condicionadores de ar em empresas e lojas nordestinas, consolidando a Engefrio como a maior do setor na região.

Ele é descrito como empreendedor. Amigo do empresário há 30 anos, o economista Lourenço Cunha conta que, ao saber da intenção da Honda de se fixar no Brasil na década de 1990, Elpídio viajou ao Japão a pretexto de se reunir com a Hitachi.

Chegando a Tóquio, pediu que seus parceiros comerciais intermediassem uma visita à sede da Honda, onde apresentou seu interesse de representar a multinacional no Brasil.

Um ano após a iniciativa, inaugurava a primeira revendedora Honda do Nordeste, a segunda de todo o país. Depois, Elpídio expandiu seus negócios com comercialização de equipamentos e utilidades para o mercado de gastronomia, fornecendo a bares, restaurantes e pequenos ambulantes.

Dedicado aos negócios, ele passou duas semanas em São Paulo na primeira quinzena de março, apresentando sintomas de febre ao retornar a Recife. “Ele era um otimista. Acompanhava as vendas aos pequenos ambulantes, se entusiasmava quando um vendedor de cachorro-quente que comprava três carrinhos”, lembra Lourenço.

Segundo o amigo, Elpídio ia diariamente, inclusive aos sábados, à sede da empresa, onde trabalhava ao lado das filhas. Ele só parou há 18 dias, quando, sentindo-se mal, foi internado em um hospital privado no Recife. A confirmação da Covid-19 veio cinco dias depois.

Cardiopata, o empresário foi entubado dois dias após a internação. Na segunda-feira (13), a sedação chegou a ser temporariamente suspensa, mas seu quadro se agravou horas depois, evoluindo para uma infecção generalizada.

Ele deixa esposa, duas filhas e três netos.

coluna.obituario@grupofolha.com.br

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