Descrição de chapéu Coronavírus

Por falta de clientes e medo do coronavírus, comércio próximo à cracolândia fecha mais cedo

Maioria dos estabelecimentos na região encerram o expediente até as 16h

São Paulo

Bem antes do entardecer, por volta das 16h, a maioria dos mercados e armazéns do centro de São Paulo, sobretudo aqueles próximos à região da cracolândia, começam a baixar as portas, reflexo do medo causado pela pandemia do coronavírus.

Gerentes desses estabelecimentos argumentam que a queda de quase 80% da clientela, além da insegurança causada pela disseminação da Covid-19, são os principais motivos que alteraram o horário de funcionamento do comércio.

“Normalmente, eu costumo fechar às 19h. Agora, fecho as portas às 14h e, até as 16h, faço apenas entregas”, afirma Anderson Domingos, 34, dono de um armazém e doceria na av. Duque de Caxias, no bairro da República.

Além da mudança no horário, o comerciante passou a atender os clientes na porta do estabelecimento, sem permitir a entrada de ninguém. Munido de máscara, luvas e óculos de proteção, ele mesmo buscava os produtos nas prateleiras.

Os demais locais visitados pela reportagem não tinham funcionários com a mesma preocupação. Além de não usarem itens de proteção, nem mesmo os atendentes respeitavam a distância de ao menos um metro entre as pessoas, recomendada pela OMS (Organização Mundial da Saúde).

Havia aglomerações, por exemplo, no supermercado Duque. Com balcões de caixas muito próximos, as filas de clientes se misturavam.

O local é um dos poucos da região que atende no período da noite. De acordo com o gerente, o horário de funcionamento foi reduzido em apenas duas horas. “A gente fecha às 20h. O horário certo seria às 22h, mas essa hora fica perigoso para os funcionários irem embora porque as ruas ficam muito vazias por aqui”, afirma Sebastião Nunes, 40.

Nunes, no entanto, afirma que tem notado que aumentou a presença do policiamento na região. “Mesmo assim não compensa ficar aberto porque não tem clientes.”

O comerciante Elvis Nascimento, 40, afirma que nem mesmo a presença das forças de segurança impediram que três bares da região fossem alvos de furtos nesta semana. “Teve dois bares na Duque de Caixas e um na Rio Branco que foram invadidos. Levaram tudo que puderam”, afirma o dono de um minimercado.

Ele diz que isso não foge à normalidade da região, e que não teme furtos em seu estabelecimento. Mesmo assim, também alterou seu horário, passando a fechar às 15h e não mais às 19h. “Tenho mais medo é do coronavírus mesmo.”

Consultada pela reportagem, a assessoria da Polícia Militar afirmou que não houve registro de furtos ou tentativas de furtos nos locais mencionados.

O temor dos comerciantes contrasta com o comportamento das pessoas na rua. Nas horas em que a reportagem circulou pela região do centro, entre 11h e 15h30 desta quinta-feira (2), foi possível notar um grande fluxo de pessoas, apesar da recomendação do Ministério da Saúde para evitar deslocamentos desnecessários.

São Paulo é estado brasileiro mais afetado pelo coronavírus. Até esta quinta, houve o registro de 188 mortes pela Covid-19, sendo 24 informados em apenas um dia.

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