Descrição de chapéu Coronavírus

Preocupadas por causa do coronavírus, crianças deixam álcool em gel e bilhetes para o Coelhinho

Em meio à pandemia, famílias inventam meios de celebrar a Páscoa no confinamento

São Paulo

Pedro Macedo, 5, de Curitiba, participava com os pais de uma conferência online com familiares de São Paulo, quando eles comentaram sobre esta Páscoa diferente, em que ninguém pode sair de casa.

Preocupado, teve uma ideia: escrever para o presidente Bolsonaro pedindo que ele autorize a visita do Coelhinho, apesar do isolamento.

Os irmãos Nicolas, 8, e Gustavo Torolo Biral, 10, de São Paulo, também deram um jeito de garantir a visita do Coelhinho em segurança: na decoração que fizeram para a Páscoa em casa, deixaram um pote de álcool em gel com um bilhete para ele: “’Álcool gel se você quiser”.

Eles estão mesmo preocupados com a saúde do Coelhinho, tanto que falaram disso na cartinha que mandaram pedindo os ovos. “Eu queria pedir um ovo bem grandão e saber se você está bem por causa da Covid-19. Se sim, quando você entregar o ovo, coloca um bilhetinho falando se está bem”, escreveu Nicolas.

Gustavo agradeceu ao Coelhinho pela saúde: “Querido Coelhinho da Páscoa, eu quero agradecer por estar bem nesta crise e espero que você também esteja”, disse ele, encerrando assim: “Nesta Páscoa, eu queria pedir um ovo bem grande”.

Para Clarissa Gennari de Assis, 5, uma das melhores coisas da Páscoa é que a avó, que mora no Paraná, viaja para visitá-la em São Paulo, e a menina estava desde o começo do ano fazendo contagem regressiva para esse momento. Mas a viagem teve de ser cancelada em razão do coronavírus. Clarissa ficou triste e logo perguntou para a mãe se isso significava que o Coelhinho também não poderia aparecer.

“Eu respondi que ele é veloz e passará rapidinho, deixando um ovo para cada criança neste ano”, conta Mariane. A garota ficou aliviada, mas também preocupada, e perguntou para a mãe, que é médica, se o Coelhinho não poderia pegar ou transmitir o vírus.

“Falei que o coronavírus do animal é diferente do que tem nas pessoas, que a gente não transmite para eles e eles não transmitem para nós”, disse Mariane, que, recentemente, teve contato com um paciente infectado e precisou fazer uma quarentena, ficando isolada dentro do quarto.

Mas esses dias mais difíceis passaram, e na Sexta-Feira Santa ela pôde cumprir uma tradição da família: pintar com Clarissa e o filho mais velho, Thales, 9, casquinhas de ovos cozidos. Foi uma tarde animada.

Agora, além de ansiosa para a Páscoa, a caçula conta os dias para o fim da quarentena, quando poderá finalmente ver a avó e irá entregar as casquinhas para os amigos da escola, como no ano passado.

Na casa de Rafaela, 9, e Isabela Nunes, 13, a preparação para a Páscoa foi profissional. A mãe, Juliana, tem uma empresa de decoração de festas em São Paulo, Belacriart, que está parada em razão do isolamento imposto pelo coronavírus.

Ela chamou então as meninas para juntas criarem um cenário com objetos garimpados por lá mesmo, como móveis, plantas, brinquedos e livros. Fizeram bolo de chocolate e palha italiana para colocar na mesa enfeitada. Em pedaços de papel recortados, escreveram palavras que relacionam ao significado da Páscoa: fé, família, união, renovação, amor e vida.

Já Flora Di Cesare, 11, admite que não está muito animada para esta Páscoa. “Não acho muito legal porque a gente não vai poder ir à casa dos meus avós para o almoço, nem abrir os ovos com todo mundo junto. E aqui em casa não vai ter muito o que fazer, porque, como a quarentena está rolando faz muito tempo, já fizemos a maioria das coisas que tivemos ideia, e agora está meio chato”, confessa ela.

E olha que não faltam ideias para Flora. Ela já fez maquiagem de terror, se fantasiou de vários personagens e até brincou de manicure com o Chico, a arara que acaba de entrar para a família. Ela foi comprada depois que o periquito Frederico, no segundo dia da quarentena, escapou para o quintal e terminou devorado pelo rotweiller Thor, um baque tremendo em pleno confinamento.

Bebê ainda, Chico adora carinho, fica quietinho no colo de Flora e até fecha os olhos enquanto ela lixa as suas unhas. Do jeito que a garota é criativa, certamente vai bolar algo para dar uma animada nesta Páscoa, e é bom que o Coelhinho seja ligeiro ou vai acabar no seu salão de beleza.

Por falar no Coelhinho, procurado pela Folha, ele não pôde dar entrevista porque está sobrecarregado com tanto trabalho extra nesta Páscoa do confinamento.

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