SP tem maior aumento de homicídios dolosos dos últimos sete anos no mês de março

Parte do crescimento se deve ao isolamento social e ficou concentrado no interior do estado

São Paulo

Os homicídios dolosos (intencionais) aumentaram 16% no estado de São Paulo em março deste ano em comparação com o mesmo mês em 2019. É o maior aumento proporcional registrado pela polícia desde janeiro de 2013.

Em números absolutos, foram 296 vítimas em 2020 contra 255 em 2019.

Já na capital os assassinatos tiveram uma redução de 22% nesse mesmo período e caíram de 85 para 66.

“[No estado] São todos casos entre conhecidos, uma boa parte deles até entre familiares. Entre familiares, eles foram de três casos no ano passado para 15”, disse o coronel Álvaro Camilo, secretário-executivo da Polícia Militar na Secretaria da Segurança Pública.

Segundo ele, os dados ainda estão sendo estudados e analisados para melhor compreensão.

Os números estão no pacote estatístico divulgado pela gestão João Doria (PSDB) na tarde desta sexta-feira (24) e refletem, segundo o governo, parte dos efeitos do isolamento social imposto à população paulista por conta da pandemia do coronavírus.

Por outro lado, as ações do governo também são apontadas como a causa da queda de quase todos os índices ligados a crimes patrimoniais, como roubo e furto.

Em São Paulo, a quarentena teve início em 24 de março e deve vigorar ao menos até dia 12 de maio, conforme planeja o governo.

policial usa máscara e luvas contra vírus
Policial militar de São Paulo com luvas e máscaras durante policiamento para evitar contágios de coronavírus - Divulgação Policia Militar

Segundo Camilo, embora tenha ocorrido uma queda de vítimas do sexo feminino, houve uma elevação nos feminicídios. Eles foram de 13 para 19 crimes registrados em todo o estado, um aumento de 46%.

Para o secretário, o machismo seria uma das explicações para o aumento dos homicídios concentrado no interior. “Há uma característica muito importante do interior. O sentimento, o relacionamento familiar ele é mais forte. Inclusive o sentimento de posse, no interior ele ainda é, infelizmente, mais arraigado. Aqui [na capital], não. No interior a mulher é mais submissa, o homem é um pouco mais... ainda tem o sentimento de superioridade”, disse o coronel.

Esse aumento nos casos de homicídio no estado já era esperado desde a semana, quando a Folha publicou reportagem com dados internos do governo paulista sobre o primeiro período de quarentena que apontavam um crescimento de 10% dos assassinatoa. Entre 20 de março de 7 de abril, eles foram de 199 para 219 casos.

O aumento verificado agora de 16% surpreende porque é similar ao aumento de janeiro de 2013, quando a elevação chegou a 18% —os homicídios foram de 386 para 456. Na época, porém, havia uma guerra não declarada entre criminosos do PCC e policiais militares, o que levou a uma série de mortes.

Ainda segundo o governo paulista, o acompanhamento dos dados de homicídios dolosos para o mês de abril também aponta para um novo aumento de casos. Os números parciais, porém, não foram informados.

Segundo o balanço divulgado pelo governo nesta sexta, praticamente todos os crimes patrimoniais tiveram queda. A maior redução ocorreu com os furtos em geral, que tiveram uma queda de 31,6%. Foram 48.390 registros em março de 2019 contra 33.098 no mês passado.

Também houve redução significativa de roubo de veículos, de 21,3%. Houve 4.045 queixas em março de 2019 contra 3.183 em março de 2020. Os roubos de maneira geral também tiveram redução (6,6%), assim como os furtos de veículos (24,5%).

De acordo com Camilo, a redução nos crimes patrimoniais deve continuar em queda. Os números de abril serão divulgados no próximo mês. Ele já afirma que não foi houve uma elevação de furtos e roubos contra estabelecimentos comerciais por conta da quarentena.

No mês passado, após o início da quarentena, a polícia registrou três casos de saques a mercados (ou similares), o que elevou a tensão na segurança pública, mas não há registro de desabastecimento no estado para gerar maior preocupação.

Comentários

Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.