Descrição de chapéu Rio de Janeiro Coronavírus

Witzel afirma que não há previsão para reabertura do comércio no RJ

Governador diz que fim do isolamento social depende de hospitais de campanha e de menor ocupação de leitos de UTI

Rio de Janeiro

O governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC), afirmou nesta quinta-feira (23) que ainda não há previsão para a reabertura das atividades econômicas, fechadas desde o dia 18 de março para reduzir a velocidade de contaminação da população pelo novo coronavírus.

Witzel condicionou a reabertura a uma taxa de ocupação máxima de 70% dos leitos de UTI. O governador afirmou que essa percentual só poderá ser atingido quando inaugurados os hospitais de campanha, o que é previsto para o próximo mês.

"A curva de mortalidade e contaminação ainda é alta, apesar de estar sob controle. Exatamente por estar sob controle é que nós estamos muito preocupados com qualquer reabertura de atividade econômica. Sei das dificuldades por que todos estamos passando, mas enquanto não inaugurarmos os hospitais de campanha, que estão em fase final de conclusão, não poderemos fazer a reabertura", disse o governador.

Estão em construção nove hospitais de campanha no estado. Há preocupação no governo, contudo, com a dificuldade em obter os respiradores para equipar leitos de UTI. Foram feitos contratos para adquirir 2.000 equipamentos, mas menos de 100 já chegaram da China.

O estado afirmou ainda ter elaborado um Plano Estadual de Reabertura Planejada "baseado em três pilares: definição prévia do ritmo de abertura, orientações de comportamento e protocolos de operação para administradores, empresários e trabalhadores".

"A tendência é de que, a partir do mapeamento de risco de atividades e territórios do estado, a retomada econômica seja gradual e regionalizada. No entanto, é importante que essas medidas sejam tomadas no momento oportuno, sob pena de agravamento da crise", afirma a nota do governo.

Na semana passada Witzel autorizou a reabertura de alguns estabelecimentos em 28 dos 92 municípios, onde o contágio estava sob controle. Algumas dessas prefeituras, contudo, optaram por manter o isolamento social.

"Em especial na Ásia, há países que flexibilizaram suas regras de isolamento social e observaram uma segunda onda de contaminações. Precisamos ter ao menos indícios de melhora tanto no índice de vítimas fatais quanto da capacidade de atendimento hospitalar para que tomemos decisões mais acertadas e não sejamos obrigados a voltar atrás e recrudescer as normas novamente", disse Witzel.

Witzel, dessa forma, se distancia do governador de São Paulo, João Doria (PSDB), que anunciou um plano de reabertura gradual a partir de 11 de maio. A retomada das atividades econômicas em São Paulo dependerá de testes, monitoramento da capacidade hospitalar e dados regionalizados sobre a contaminação.

Os dois governadores antagonizaram com o presidente Jair Bolsonaro no início da entrada em vigor das medidas de isolamento social, em março. O presidente é contrário às medidas de distanciamento, recomendadas pela OMS (Organização Mundial da Saúde) e especialistas.

Na última semana, Witzel vinha sinalizando discutir a reabertura. Diferentemente de Doria, decidiu não estabelecer prazo. Mas, assim como Bolsonaro, passou a divulgar em suas redes sociais tratamento em teste na rede estadual: a transfusão de plasma de pessoas recuperadas a pacientes infectados pelo novo coronavírus.

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