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Coronavírus

Balanço de lotação de UTIs não é preciso na cidade de São Paulo

Não há conta fechada do número de leitos para Covid-19 em todos os tipos de hospital

São Paulo

Os balanços da cidade de São Paulo de ocupação de UTIs não permitem que se tenha uma ideia exata do tamanho da escassez. Não há uma conta fechada do número de leitos de UTI para a Covid-19 em todos os tipos de hospital da cidade (municipais, estaduais, privados, filantrópicos) nem todos os dados são precisos ou coerentes.

Os números permitem dizer que a taxa de ocupação, nesse patamar aproximado, já é muito preocupante, segundo médicos intensivistas ouvidos por este jornalista. No entanto, os dados não permitem dizer quão grave é a situação nem sua evolução precisa.

Os dados de taxa de ocupação de UTIs na cidade referem-se apenas aos leitos dedicados a doentes de Covid-19 em hospitais municipais; não incluem leitos privados recém-contratados. A Secretaria Municipal de Saúde diz que não dispõe de dados de leitos estaduais ou de filantrópicas na cidade.

Segundo a secretaria, a prefeitura não conta as UTIs para Covid-19 de hospitais estaduais ou em filantrópicas porque, na prática, pelo menos no momento, não pode contar com tais leitos nem há perspectiva realista de fazê-lo. O estado, por exemplo, tem utilizado seus equipamentos para cobrir escassez muito pior em certos municípios da região metropolitana, diz a prefeitura, o que é fato, diz o governo do estado.

É possível que a taxa de ocupação diminua caso a prefeitura consiga contratar mais leitos privados, adquirir mais ventiladores mecânicos e receber outros aparelhos do governo estadual, que recentemente recebeu um lote comprado desses equipamentos. Desde o início da epidemia, o número de leitos de UTI e ventiladores já aumentou no serviço municipal.

Entrada do Hospital Municipal de Campanha (HM Camp) Anhembi, na zona norte de São Paulo
Entrada do Hospital Municipal de Campanha (HM Camp) Anhembi, na zona norte de São Paulo - Rubens Cavallari - 22.abr.20/Folhapress

A prefeitura, de modo não rotineiro, informa também a taxa de ocupação de UTIs privadas para Covid-19, embora avise de que se trate de conta precária e recente. Tais números variam também porque o número de hospitais que passam informações à prefeitura varia muito todos os dias.

Quanto aos leitos disponíveis em UTIs para Covid-19 em hospitais privados, a taxa de ocupação diária varia de modo sem controle, diariamente, pois também se altera diariamente o número de hospitais que repassam tais dados para a prefeitura. Trata-se, no máximo, de um indicativo aproximado, portanto.

Nos últimos dez dias, por exemplo, o número médio de hospitais informantes foi de 63, com um máximo de 82 e um mínimo de 53 instituições. No caso do número de leitos de UTI para Covid-19 disponíveis, a média informada foi de 1.064, com um máximo de 1.341 leitos e um mínimo de 744. Nesse período, as taxas de ocupação variam de 82% a por vezes mais de 100%, segundo a série enviada pela prefeitura.

Além do mais, a série dados de ocupação de UTIs enviada pela prefeitura à Folha em parte não é compatível com os dados publicados no Boletim Diário Covid-19, mesmo consideradas variações de critérios (apenas pacientes em leitos de UTI, em sentido estrito, e/ou se contados também aqueles em ventilação mecânica, mas em outro tipo de leito).

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