Bolsonaro defende 'esperar um pouquinho mais' para definir sobre adiamento do Enem

Projeto que determina o adiamento do exame foi aprovado no Senado; ministro da Educação admite adiamento em até 60 dias.

Brasília

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) disse nesta quarta-feira (20) que é melhor "esperar um pouquinho mais" para definir se adia ou não as provas do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) em razão da pandemia do novo coronavírus.

O presidente falou sobre o assunto com apoiadores na porta do Palácio da Alvorada, após uma reunião com a secretária especial de Cultura, Regina Duarte, que assumirá a Cinemateca de São Paulo.

"A prova do Enem, que alguns querem adiar, acho que temos que ouvir os que vão fazer a prova", disse Bolsonaro.

Uma apoiadora afirmou que faria o exame, então, o presidente fez uma pergunta a ela.

"Você quer adiar ou quer deixar em novembro mesmo?", indagou. Ao que a apoiadora respondeu que "acho que seria melhor adiar". "Adiar para quando? Depois que você adia, você não sabe quando", retrucou Bolsonaro.

"Opinião minha. Tem pedidos da Câmara, da presidência da Câmara. Parlamentares querem adiar, outros não. Eu te pergunto: a eleição vai ser adiada também? Vamos esperar um pouquinho mais. É muito cedo. Estamos agora em maio, é só em novembro. Espera um pouquinho mais para tomar a decisão", afirmou o presidente.

Na terça-feira (19), o Senado aprovou, por 75 votos a 1, um projeto de lei que determina o adiamento das provas do Enem por causa da Covid-19.

O texto, de autoria da senadora Daniella Ribeiro (PP-PB), teve apenas um voto contrário, o do senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ).

A proposta agora tem que ser apreciada pela Câmara. Se houver alterações, o projeto volta ao Senado antes de ir à sanção do presidente.

Diante da derrota no Congresso, o ministro da Educação, Abraham Weintraub, admitiu pelas redes sociais um adiamento da prova em até 60 dias. Insistiu, entretanto, na realização de uma consulta aos participantes.

"Diante dos recentes acontecimentos no Congresso e conversando com líderes do centro, sugiro que o ENEM seja adiado de 30 a 60 dias. Peço que escutem os mais de 4 milhões de estudantes já inscritos para a escolha da nova data de aplicação do exame", escreveu ele em sua conta no Twitter nesta quarta.

O Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais) já avalia nesta terça-feira (19) novas datas para a realização do Enem. O governo considera adiar a prova para dezembro ou janeiro.

Contrário ao adiamento, Weintraub foi quem fez o pedido para que a equipe do Inep estude novas datas, segundo relatos de técnicos do instituto.

Na tarde de terça-feira, Weintraub anunciou pelas redes sociais que vai fazer uma consulta pública para ouvir estudantes. As novas datas já estariam contempladas nesse processo, previsto para junho.

O adiamento das provas tem sido defendido por secretários de Educação e especialistas por causa do risco de aumento de desigualdades com a interrupção de aulas provocada pela pandemia. O Enem é a principal porta de entrada para o ensino superior público no país.

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