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Crianças ganham mais tempo com as mães na quarentena

Neste Dia das Mães, filhos contam que descobriram novas atividades em família no isolamento

São Paulo

Desde que tinha um ano, Nina Maria Cabral, 3, nunca tinha passado tantos dias e o tempo todo ao lado da mãe. Por isso, ela diz que, na quarentena, está “brincando de ser bebê”. Mesmo com um desafio maior para as mães durante o isolamento, a maior convivência nesse período fez com que os filhos descobrissem um novo lado delas.

Se preparando para comemorar o Dia das Mães neste domingo (10), crianças de 3 a 12 anos contam ter descoberto que as mães sabem tocar violão, bordar, brincar de argila, de peteca, jogar bola e até mesmo fazer uma sessão de pipoca ou montar um acampamento dentro de casa.

Kauan e Ainran, que antes só ficavam com a mãe Shirley Silva à noite, disseram gostar de ter tempo para brincar com ela
Kauan e Ainran, que antes só ficavam com a mãe Shirley Silva à noite, disseram gostar de ter tempo para brincar com ela - Shirley Silva/Arquivo Pessoal

Kauan e Ainran de Abreu, de 11 e 10 anos, estudam em período integral e só ficavam em casa com a mãe por poucas horas do dia. Chegavam às 19h, mas logo tinham que ir dormir para acordar às 5h do dia seguinte e seguir para a escola. Mesmo com as aulas a distância e o trabalho remoto da mãe, eles têm agora mais tempo para brincar e fazer atividades juntos.

“A gente almoça junto todos os dias e minha mãe está me ensinando a cozinhar. Ela faz comida mais gostosa que a da escola”, contou Ainran.

Para o mais velho, a melhor parte é que, com a quarentena, todo dia pode ser dia de cinema. “Minha mãe faz pipoca e a gente já assistiu um monte de filmes.”

Nina, de 4 anos, disse que está se sentindo um bebê por ficar tanto tempo com a mãe Carla Caroline
Nina, de 4 anos, disse que está se sentindo um bebê por ficar tanto tempo com a mãe Carla Caroline - Carla Caroline/Arquivo Pessoal

Para Nina, 3, que estuda em período integral e agora está em quarentena com a mãe Carla Caroline, 32, só crianças muito pequenas passam o dia todo ao lado da mãe.

As brincadeiras das duas, no entanto, envolvem várias tarefas. “Ela me diz o que quer comer e vamos juntas para a cozinha preparar. Mesmo quando eu não a chamo, ela já puxa a cadeira perto da pia para ajudar”, contou Carla.

Patrícia Sarcetta com os filhos Marco e Pietra estão aproveitando o isolamento para fazer mais atividades juntos, como cozinhar e assistir filme
Patrícia Sarcetta com os filhos Marco e Pietra estão aproveitando o isolamento para fazer mais atividades juntos, como cozinhar e assistir filme - Patrícia Sarcetta/Arquivo Pessoal

Pietra Fiadi, 9, diz que as conversas e brincadeiras com a mãe a fazem esquecer da saudade dos amigos e da escola. “Agora que temos mais tempo juntas, estou aprendendo muito com a minha mãe. Já aprendi a fazer sorvete, bolo, sopa. Aprendemos juntas porque antes ela também não cozinhava”, contou.

Das atividades que nunca tinha feito, a que mais gostou foi ajudar a mãe a pintar o cabelo. “Fiquei feliz de saber que eu posso ajudar, foi muito legal ver que deu certo e ela ficou linda”, disse Pietra.

João Guilherme e Luis Eduardo de Araújo, de 7 e 3 anos, gostam das noites de cinema em casa e de brincar de acampamento com a mãe Luciana na sala de casa
João Guilherme e Luis Eduardo de Araújo, de 7 e 3 anos, gostam das noites de cinema em casa e de brincar de acampamento com a mãe Luciana na sala de casa - Luciana de Araújo/Arquivo Pessoal

“Minha mãe fez uma festa pra gente, mesmo sem ter nenhum aniversário”, contou João Guilherme de Araújo, 7. A festa foi para comemorar o bolo que ele e o irmão, de 3 anos, fizeram juntos com a mãe.

Luciana Araújo, 45, contou que, mesmo com o tempo apertado e as muitas atividades durante o isolamento, os meninos se mostram encantados com as pequenas tarefas do dia a dia quando ela os acompanha. “Fazer pipoca vira uma sessão de cinema, um bolo vira uma festa. Até quando peço para me ajudaram a secar a louça ou colocar a mesa para o jantar eles acham que é brincadeira.”​

Os gêmeos Davi e Tomás, de 8 anos, e Lia, 2 anos, aprenderam a bordar e fazer colar com a mãe Carmem Teixeira durante a quarentena
Os gêmeos Davi e Tomás, de 8 anos, e Lia, 2 anos, aprenderam a bordar e fazer colar com a mãe Carmem Teixeira durante a quarentena - Carmem Teixeira/Arquivo Pessoal

“A gente conversa sobre tudo o tempo todo. Falo com a mamãe sobre a lição de matemática, o filme que assistimos, sobre o desenho que fiz. É gostoso sempre poder falar com ela”, contou Tomás Libardi, 8.

A professora Carmem Teixeira, 45, se desdobra para dar atenção aos gemeos Tomás e Davi, a caçula Lia, de 2 anos, e os alunos nas aulas remotas. “São muitas atividades ao mesmo tempo, mas estamos mais próximos. Sinto que eles gostam de ver que estamos por perto, os três estão muito mais carinhosos.”

Menino segura violão ao lado da mãe
Francisco e Marina estão aprendendo a tocar violão - Marina Alegre/Acervo Pessoal

“Estou ensinando minha mãe a tocar violão e ela me ensinou a fazer um bordado. Nós bordamos um coração para dar de presente para a minha vó”, contou Francisco de Freitas, 8. Desde que as aulas foram suspensas, ele está em casa só com a mãe Marina Alegre, 36.

“Estamos descobrindo a companhia um do outro. Ele descobriu que eu também posso brincar, ser amiga dele, fazer bagunça. Fizemos até um campeonato de futebol no corredor do apartamento, o que sempre foi proibido aqui em casa”, contou a mãe.

Anita Galvão, 8 anos, está descobrindo novas brincadeiras com a mãe Maria Carolina Galvão. A mais divertida para ela é jogar peteca
Anita Galvão, 8 anos, está descobrindo novas brincadeiras com a mãe Maria Carolina Galvão. A mais divertida para ela é jogar peteca - Maria Carolina Galvão/Arquivo Pessoal

“Minha mãe brinca comigo como as minhas amigas. É até melhor porque ela me ensina outras brincadeira, nós aprendemos a jogar peteca, jogo de tabuleiro”, contou Anita Galvão, 8.

Para Maria Carolina Galvão, 44, apesar das incertezas e do acúmulo de tarefas com a quarentena, o tempo com a filha tem sido um presente desse período. “Ela está em uma fase gostosa, a gente conversa muito. Quando essa fase passar, vou sentir falta da minha companheirinha.”

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