Descrição de chapéu Coronavírus

Governo de Santa Catarina está sendo execrado, afirma Moisés

Estado pagou R$ 33 milhões para a compra de 200 respiradores que não chegaram e governador diz que não há receita para o combate ao coronavírus

Rio de Janeiro

Dizendo-se sozinho, o governador de Santa Catarina, Carlos Moisés (PSL), afirmou nesta sexta-feira (8) que seu “governo está sendo execrado por ter pago adiantado” R$ 33 milhões para a compra de 200 respiradores que não chegaram ao Estado.

Em uma reunião virtual com os associados ao Lide (Grupo de Líderes Empresariais), Moisés disse que a compra ocorreu em “dias de verdadeiro desespero”.

“Estávamos em desespero”, justificou.

Carlos Moisés (PSL), governador de Santa Catarina
Carlos Moisés (PSL), governador de Santa Catarina - Theo Marques - 16.jan.19/Folhapress

No encerramento da transmissão _ em um rompante que chamou de desabafo _ o governador se disse alvo de pressão da mídia. E, lembrando estar diante de anunciantes de jornais, Moisés sugeriu que os empresários dessem “um recado muito claro de um jornalismo decente que tem que ser praticado, responsabilizar esses veículos”.

Moisés chegou a comparar a cobertura da imprensa ao caso da escola-base, cujos donos foram injustamente acusados de abusar sexualmente dos alunos, sendo obrigados a fechar a instituição.

“Liberdade de imprensa é uma coisa e o que estão fazendo hoje aqui em Santa Catarina…. E os senhores podem me ajudar muito, fica meu apelo. Em todos esses veículos de comunicação os senhores têm propaganda, comerciais, vendem seus produtos”, disse Moisés, dirigindo-se aos empresários.

Sobre as suspeitas que pairam sobre a compra, o governador afirma: “Não tenho respostas. Se há ilícitos escondidos, estamos apurando”.

No estado, o ex-secretário Helton Zeferino foi exonerado após o The Intercept Brasil revelar a compra de 200 respiradores por R$ 33 milhões. Os equipamentos ainda não foram entregues, tendo o prazo já expirado. A empresa contratada, Veigamed, não tinha histórico de atuação na área.

Zeferino teve os bens bloqueados pela Justiça e, em depoimento à polícia, atribuiu ao secretário da Casa Civil, Douglas Borba, a indicação da empresa contratada.

A ex-superintendente de Gestão Administrativa, Márcia Pauli, também demitida em razão das compras, disse em entrevista ao Balanço Geral Florianópolis ter ouvido citações ao nome do governador Carlos Moisés (PSL) durante a tramitação da compra sob suspeita.

Na reunião virtual, o governador disse ainda que não há receita pronta para o combate ao coronavírus.

“O nome é um pandemia mesmo. Não havia uma escola que pudéssemos seguir”, afirmou. Para Moisés, este “não é um bom momento” para que o presidente Jair Bolsonaro (Sem Partido) ofereça um churrasco aos amigos.

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