Descrição de chapéu Obituário José Luiz Magalhães Vieira (1932 - 2020)

Mortes: Apaixonado por carros, encantou com suas reportagens

José Luiz Vieira era apaixonado por carros antigos

São Paulo

Aos 4 anos, a imaginação de José Luiz Vieira já o levava para o mundo do automobilismo. Sentado na cama dos pais com uma tampa de panela, fingia pilotar um carro. A brincadeira consistia em levar a mãe para passear. Ainda criança, começou a estudar língua inglesa.

Aos 18 anos, José perdeu a mãe, grande incentivadora de uma carreira que já habitava seu coração.
Escolheu cursar escola de tecnologia automotiva nos EUA. Custeou os estudos com o dinheiro que ganhava trabalhando como caminhoneiro.

A primeira reportagem que escreveu foi para a Revista de Automóveis. O aprofundamento técnico nos conteúdos sobre carros antigos e estrangeiros ajudou a dar continuidade à sua história no setor.

José Luiz Magalhães Vieira (1932-2020) com a esposa Vera Vieira
José Luiz Magalhães Vieira (1932-2020) com a esposa Vera Vieira - Arquivo pessoal

Passou pelos Diários Associados, pelo Autoesporte e pelo jornal O Estado de S. Paulo. Dedicou-se também ao informativo de tecnologia Tech Talk. Da Revista Motor 3, editada entre 1980 e 1987, foi diretor de redação. Ultimamente, era diretor da revista Carga & Transporte.

José é autor da “Enciclopédia do Automóvel”. Em três volumes, a obra traz relatos sobre a indústria automotiva internacional.

“José tinha capacidade de escrever sobre automóveis de maneira que qualquer pessoa entendesse”, diz a esposa, a jornalista Vera Lúcia Novelli Vieira, com quem foi casado por 45 anos.

“Se não houver romance nas matérias, não se tem leitores. E não haverá paixão por carros”, dizia José. Ele colocou nos textos uma paixão que encantou seu público.

O amor pelos carros estava em toda parte. No fundo de sua casa, duas salas acomodam miniaturas de carros do mundo inteiro.

José conquistou leitores e também a admiração e o amor dos amigos, que, como o jornalista Enio Campoi, 78, o consideravam gentil, humilde, discreto, sereno e elegante. “Ele se relacionava bem com representantes de montadoras do mundo inteiro”, afirma Enio.

As grandes histórias que viveu envolveram carros. José não passou pela vida sem dirigir dois dos carros com os quais sempre sonhou: um do modelo Duesenberg, nos EUA, e a Mercedes-Benz 300SL, a asa de gaivota, quando esteve na Alemanha.

José Luiz Vieira morreu dia 19 de maio, aos 88 anos, de parada cardíaca. Deixa esposa, um filho e dois netos.​

coluna.obituario@grupofolha.com.br

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