Descrição de chapéu DeltaFolha Coronavírus

Movimentação de pessoas cresce em 25 estados e no DF, em meio a alta de casos de coronavírus

Apenas Amazonas, que tem quadro de colapso do sistema de saúde, conseguiu reduzir circulação

Flávia Faria Diana Yukari
São Paulo

Quase todos os estados brasileiros tiveram aumento no fluxo de pessoas em locais de circulação pública em abril. A única exceção é o Amazonas.

A comparação leva em conta dados anônimos de localização divulgados pelo Google, obtidos a partir de aparelhos dos usuário. A reportagem analisou a redução do movimento em três categorias: estações de transporte, parques (que inclui praias, jardins e praças) e lazer (shoppings, cinemas, bares e restaurantes).

Comparando o fluxo médio na semana de 22 a 29 de março com o registrado na semana de 19 a 26 de abril, 26 das 27 unidades da federação tiveram aumento da circulação em ao menos uma categorias. Em 16, houve aumento nas três.

O fluxo de pessoas ainda é de 40% a 60% menor que no período anterior à quarentena, mas os dados mostram que o isolamento social caiu no último mês, na contramão do aumento do número de casos e mortes por coronavírus.

Até a tarde desta terça (5), quase 8.000 pessoas haviam morrido no país. Mais de 5.000 mortes ocorreram no mês de abril.

Em comparação, nos países da Europa mais afetados pelo vírus e que tiveram “lockdown” (forma mais rigorosa de restrição à circulação de pessoas), como Itália e Espanha, há cerca de 80% menos pessoas nos espaços públicos, na comparação com o início do ano. O valor considerado como base é o movimento registrado antes da quarentena, entre 3 de janeiro e 6 de fevereiro.

Mesmo Portugal, que não teve regras tão rígidas e apresenta números bem mais modestos de mortes e infecções, tem índices maiores de isolamento que o Brasil.

No país, o estado que mais teve aumento no fluxo de pessoas em abril foi Mato Grosso do Sul, com variações de 30% a 40% em relação a março nas três categorias analisadas.

Santa Catarina, por sua vez, teve crescimento de 34% no movimento em espaços de lazer. O estado flexibilizou normas de restrição ao comércio e permitiu a reabertura de shoppings.

Em Blumenau, a 91 km de Florianópolis, clientes foram recebidos com música ao vivo na reabertura do Neumarkt Shopping, no último dia 22.

São Paulo, estado com maior número de infectados, teve aumento de 22% na circulação em locais como praias, parques e praças públicas.

Na outra ponta, o Amazonas foi o único que conseguiu ampliar o isolamento social nas três categorias. O estado enfrenta grave situação de colapso no sistema de saúde, com hospitais lotados e falta de equipamentos. Tem também a maior taxa de mortalidade por coronavírus do país, com 14,1 mortos a cada 100 mil habitantes.

Por lá, o movimento no transporte, parques e locais de lazer caiu de 6% a 8,5% entre março e abril. O fluxo em abril é de 46,5% a 63,5% menor que no período anterior à quarentena.

À exceção do Tocantins, todos os estados do Norte diminuiram o movimento em estações de transporte.

Ainda assim, a circulação de pessoas é maior que na maioria dos estados do Nordeste, região em que o isolamento social parece ter mais adeptos.

Oito dos nove estados são chefiados po​r governadores declaradamente de oposição a Jair Bolsonaro (sem partido), que tem criticado medidas de isolamento, minimizado o efeito do coronavírus e participado de protestos.

A região também é a única onde Bolsonaro perdeu no segundo turno das eleições de 2018 e onde o presidente tem maior índice de rejeição, segundo pesquisas Datafolha.

O Ceará é o estado com maior redução de movimento em locais de lazer em relação aos dias anteriores à quarentena, com fluxo 72% menor na última semana de abril do que no início do ano (em março, índice era de 76,4%).

Na sexta (9), Fortaleza terá seu primeiro dia de “lockdown”, medida que já começou a valer nesta terça em São Luís. Tanto o Maranhão quanto o Ceará têm superlotação de UTIs por pacientes com Covid-19, e a medida visa frear a disseminação do vírus.

Erramos: o texto foi alterado

Versão anterior do título desta reportagem afirmava que a movimentação cresceu em 26 estados. Na verdade, cresceu em 25 estados e no Distrito Federal. O título foi corrigido.

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