Descrição de chapéu Coronavírus

Rio ultrapassa São Paulo em mortes por coronavírus em 24 horas e Witzel admite plano de 'lockdown'

Em um único dia morreram 189 pessoas no estado; Em SP foram registradas 161 vítimas

Rio de Janeiro

Nesta quinta (7), o estado do Rio de Janeiro registrou, pela primeira vez, mais mortes pelo novo coronavírus em 24 horas do que o estado paulista. Foram, no Rio, 189 exames positivos confirmados entre mortos, contra 161 em São Paulo.

Só na capital fluminense foram 155 mortes. Em nota, a Prefeitura do Rio de Janeiro reforça que as mortes não aconteceram em 24 horas, mas, em sua maioria, ao longo do mês de abril, tendo sido computadas de quarta (6) para quinta (7) após confirmada sua relação com o novo coronavírus.

O governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel
O governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel - Mauro Pimentel/AFP

Procurada, a Secretaria de Estado de Saúde frisou que os números representam, além das amostras represadas, o aumento da capacidade do Laboratório Central Noel Nutel, que, segundo a secretaria, ampliou a capacidade de testagem com reforço de novos equipamentos, reorganização de recursos humanos e parcerias. Há, no estado, 570 mortes em investigação.

Há, no estado, 656 mortes em investigação. Nesta sexta (8), o estado registrou 109 novas mortes, além de 1.585 novos casos confirmados. Em São Paulo, foram 210 mortes de quinta para sexta.

Ainda na quinta (7), o governador Wilson Witzel admitiu, em ofício enviado ao Ministério Público, que o estado elabora proposta de "lockdown" para conter o avanço do vírus. O documento é uma resposta ao estudo elaborado pela Fiocruz e levado ao executivo pelo MP em que a entidade expressa a necessidade de adoção de medidas mais rígidas de isolamento social no estado.

O Rio de Janeiro, que registrou o primeiro caso de Covid-19 em 5 de março, acumula 14.156 casos confirmados da doença e 1.394 mortes. O estado já tem filas para ocupação dos leitos há duas semanas e tinha 97% dos leitos estaduais de UTI para coronavírus ocupados até a segunda (4). Restavam, então, apenas 12 das 399 vagas disponíveis, mas era 363 pessoas à espera de transferência no estado.

Witzel vinha se recusando a falar sobre "lockdown", dizendo, em redes sociais e em entrevistas, que reforçaria a fiscalização das medidas já adotadas e que tomaria medidas mais duras, se necessário.

Desde quinta (7), a prefeitura do Rio interditou o calçadão de Campo Grande, bairro da zona oeste que tem denúncias de aglomeração e o maior número de mortes por Covid-19 na cidade.

No documento divulgado pelo MP, o governo fluminense diz ainda que se caminha para um colapso do sistema de saúde​ do estado com o aumento de casos graves da Covid-19 e que os esforços de ampliação da rede de serviços de atendimento não têm sido suficientes. Diz ter constatado, ainda, a partir de relatórios diários que consolidam dados dos sistemas de saúde e de transporte, das agências de inteligência dos órgãos de segurança pública, do Gabinete de Segurança Institucional e da Defesa Civil, que a adesão da população às medidas de isolamento já decretadas não se deu na proporção necessária para coibir o avanço da doença.

Segundo levantamento do Deltafolha, no Rio de Janeiro, assim como em todos os estados brasileiros, com exceção do Amazonas, houve aumento no fluxo de pessoas em locais de circulação pública em abril.

Enumera-se algumas das medidas estudadas para o "lockdown", como "bloqueio de todas as entradas do estado do Rio de Janeiro e intermunicipais; proibição expressa da circulação de pessoas e veículos particulares nas cidades, exceto para as atividades de segurança, de manutenção da vida e da saúde, compras de gêneros alimentícios e serviços essenciais de entrega em domicílio; criação de um documento de autodeclaração amplamente disponibilizado para ser preenchido por toda pessoa que necessite circular nas cidades; e tornar obrigatório o uso de máscaras para todos que tiverem que justificadamente circular pelas cidades".

O governo diz também, no documento, que está sendo elaborado um plano de saída do "lockdown", que prevê medidas para a saúde e a economia no estado, baseado em testagem em massa da população. Procurado, o governo disse ainda que a abertura deve ser lenta e gradual, regionalizada e acompanhada por robustas medidas de fiscalização e aplicação de sanções.

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