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Witzel exonera secretário de Saúde do Rio em meio a investigações

Governo diz que saída foi motivada por falhas na gestão de hospitais de campanha

Rio de Janeiro

O governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC), exonerou neste domingo (17) o secretário estadual de saúde, Edmar Santos. A decisão foi tomada em meio à Operação Favorito, da Polícia Federal e do Ministério Público Federal, da qual a pasta é um dos alvos, que investiga o empresário Mário Peixoto.

Em nota, o governo Witzel disse que a exoneração foi motivada por "falhas na gestão de infraestrutura de campanha para atender as vítimas da Covid-19". O texto diz, porém, que Santos vai dirigir uma comissão de notáveis para auxiliar o governo no enfrentamento à pandemia.

Governador do Rio de Janeiro Wilson Witzel (PSC) durante coletiva de imprensa
Governador do Rio de Janeiro Wilson Witzel (PSC) durante coletiva de imprensa - Mauro Pimentel - 23.set.2019/AFP

Ele será substituído pelo atual diretor-geral do Hospital Universitário Gaffré e Guinle, Fernando Ferry, que é especialista em Aids.

Deflagrada no último dia 14, a Operação Favorito prendeu o empresário Mário Peixoto, que é ligado ao secretário de Desenvolvimento Econômico do Rio de Janeiro, Lucas Tristão, braço-direito de Witzel. A detenção na ocorreu no âmbito das investigações da Operação Lava Jato sobre atos durante a gestão do ex-governador Sérgio Cabral.

Mas, de acordo com a PF, a organização criminosa alvo da apuração manteve sua atuação nas contratações emergenciais voltadas para o combate à pandemia do novo coronavírus, o que motivou as prisões preventivas.

Além do empresário, também é alvo da ação o ex-presidente da Assembleia Legislativa fluminense Paulo Melo (MDB), e outros três pessoas cujos nomes não foram divulgados.

Em abril, o subsecretário-executivo da secretaria da saúde, Gabriell Neves foi temporariamente afastado do cargo. Neves era responsável pelas compras emergenciais no combate ao novo coronavírus e a Folha havia revelado, dois dias antes, que os processos administrativos para as aquisições de equipamentos e leitos que somam R$ 1 bilhão foram colocadas em sigilo de forma irregular.

Neves não foi o primeiro. Dias antes, a subsecretária de Gestão da Atenção Integral à Saúde, Mariana Scardua, foi exonerada. Havia divergências entre ela e Neves. À época, o governo afirmava que a estrutura da pasta havia sido alterada para contar com profissionais voltados à medicina intensiva —a ex-subsecretária é especialista em medicina de família.

Segundo a última atualização da Secretaria de Saúde do Rio de Janeiro feita neste sábado (16), o estado tem 21.601 casos confirmados do novo coronavírus, e registra 2.614 óbitos, atrás apenas de São Paulo.

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