Descrição de chapéu Coronavírus

Antes de fechar todo o comércio, ruas do centro de Ribeirão Preto ficam lotadas

Região foi rebaixada em plano do governo de SP e terá de fechar lojas a partir de segunda-feira

Ribeirão Preto

Prestes a ter de fechar novamente todo o seu comércio, Ribeirão Preto (a 313 km de São Paulo) registrou nesta sexta-feira (12) e neste sábado (13) ruas lotadas, filas para entrar em lojas e desrespeito ao uso de máscaras.

Com 2.321 casos do novo coronavírus e 59 mortes até este sábado (13), a cidade, cuja economia é baseada nos setores de comércio e serviços, foi rebaixada pelo governo do estado no plano de reabertura gradual da economia em meio à pandemia e terá de fechar novamente o comércio a partir de segunda-feira (15), medida que gerou críticas da associação comercial. A decisão atingiu também as regiões de Presidente Prudente e Barretos.

A decisão de fechar provocou uma corrida às lojas entre sexta e sábado, principalmente na região central da cidade, que fecharam às 14h e só serão reabertas quando a região obtiver uma reclassificação que permita o funcionamento das atividades comerciais.

Ribeirão reabriu seu comércio no último dia 1º com lotação das ruas e filas para entrar em shoppings, cenário que se repetiu em todos os dias seguintes. Fora das lojas, filas com até 40 pessoas foram registradas.

Reflexo disso, desde o dia 29 de maio em nenhum dia útil o índice de isolamento ficou acima de 45% em Ribeirão. Na quarta-feira (10), alcançou 44%.

Nesta sexta, Dia dos Namorados, as pessoas com máscaras eram maioria nas ruas, mas muitas utilizando a proteção de forma equivocada, com o nariz desprotegido. Ruas como a São Sebastião e a General Osório registraram aglomerações o dia todo.

O prefeito Duarte Nogueira (PSDB) disse ter ouvido relatos de comerciantes nos últimos dias de que, ao verem clientes sem máscaras, cobram o uso da proteção e veem os consumidores retirarem-nas dos bolsos para colocarem no rosto.

Ele afirmou que era sabido pelos estudos que os casos cresceriam no interior, mas que a falta de cuidados contribui para isso, em sua avaliação. “Parte desse crescimento já vinha em maneira inercial, mas certamente a falta de observância de conduta de regras sanitárias, de protocolos, contribuiu para aumentar um pouco mais”, disse.

A região de Ribeirão Preto terá de fechar todo o comércio não essencial devido às altas de internações e mortes nos últimos sete dias, em relação aos sete dias anteriores. O índice de ocupação em UTIs (Unidades de Terapia Intensiva) na cidade chegou a 72,7% na sexta, com 88 dos 121 leitos ocupados. Na segunda-feira (8), estava em 65,3%.

A Acirp (Associação Comercial e Industrial de Ribeirão Preto) relatou descontentamento com o governo do estado sobre transparência de dados e critérios que basearam a decisão do fechamento.

“É importante destacar que nossa cidade tem realizado um número significativo de testes cujos resultados se refletem nas estatísticas utilizadas pelo estado no contexto do plano São Paulo, de forma que esta atenção maior do município não pode impactar negativamente no processo de flexibilização do isolamento social”, disse a entidade, por meio de comunicado.

Para a associação, os comerciantes cumpriram seu papel na reabertura, respeitando os protocolos, e falta coesão nos critérios das medidas de distanciamento. “Está claro, por exemplo, que restrições no transporte público e redução dos horários de atendimento do comércio só contribuem para a aglomeração nos veículos e nas lojas e seus entornos”, diz a Acirp.

O Sincovarp (sindicato do comércio varejista) e a CDL (câmara de lojistas), por sua vez, afirmaram que a decisão do governo se baseou principalmente no comportamento da população, “que, em grande parte, não respeitou o isolamento social e a regra de sair de casa somente para o necessário”, no aumento de casos e da taxa de ocupação de leitos de UTI na cidade e região.

Os órgãos lamentaram o rebaixamento no plano de reabertura e dizem que trabalharão para construir soluções para que a cidade volte à classificação laranja, até a reabertura total.

Com os índices de ocupação de UTIs em alta, Ribeirão Preto recebeu 28 novos respiradores, que serão utilizados no HC (Hospital das Clínicas), vinculado à USP (Universidade de São Paulo), e terá mais quatro equipamentos na próxima semana, para o Hospital Santa Lydia.

Outros cinco serão implantados em cidades da região, sendo três em Serrana, num hospital vinculado ao HC, e dois em Jaboticabal.

Segundo Nogueira, os aparelhos contribuirão para aumentar leitos de UTI e oferecer melhor assistência nesse momento de alta de casos.

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